A Justiça Amazonense, às vezes tem demonstrado que usa dois pesos e duas medidas para processos que tramitam no órgão. Casos como do triplo homicídio que teve como vítima a família Belota, onde Maria Gracilene, Gabriela Belota e Roberval Roberto de Brito, foram mortos de maneira cruel, em menos de um ano os acusados foram julgados e condenados. Mas, o processo que apura a morte da policial militar, Leidynina Luciane da Silva Araújo, morta com um tiro na cabeça no dia 5 de março de 2010, depois de uma discussão com seu namorado, na época tenente e hoje capitão da PM, Pedro César da Silva Moreira, fará dentro de duas semanas quatro anos sem que o acusado sente no banco dos réus.

Este mês, a juíza Mirza Telma de Oliveira Cunha, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, adiou duas audiências de instrução e julgamento. A do dia 13, pela ausência da testemunha do juízo, Robson Lessa dos Santos, que voltou a faltar na segunda que seria realizada na última sexta-feira, dia 21.

De acordo com consulta no site do Tribunal de Justiça, não consta nenhuma outra movimentação da magistrada marcando nova data para a audiência de instrução e julgamento que terá antes dela emitir a sentença de pronúncia.

O caso da policial militar, se arrasta lentamente na Justiça. Primeiro para o processo andar houve um conflito de competência levantado pelo juiz da Auditoria Militar, e tendo o Tribunal de Justiça do Amazonas decidido que cabe a 1ª Vara do Tribunal do Júri julgar.

Depois de superado o conflito de competência, somente em janeiro de 2012, dois anos depois do crime, que a juíza Eline Paixão e Silva Gurgel do Amaral Pinto, aceitou a denúncia do Ministério Público e determinou a citação do oficial da Polícia Militar para se manifestar da acusação.

Entenda o crime

A policial militar, Leidynina Luciane Silva de Araújo, 19 anos, foi morta com um tiro de pistola PT 40 (de exclusivo da PM e PC) no dia 5 de março de 2010, no segundo andar do residencial Carol II, localizado na rua 1ª de Abril, bairro da Betânia, Zona Sul.

A policial assassinada, teria sido vítima do namorado, à época tenente e hoje capitão da Polícia Militar, Pedro Moreira, que a princípio alegou ter sido suicídio, a morte da namorada, mas na reconstituição do crime no dia 19 de setembro de 2010, a pedido do delegado Mariolino Brito, à época na Homicídios e Sequestros, a versão do oficial caiu por terra e ele acabou indiciado por homicídio.

Peregrinação da mãe

A dona de casa, Maria Hilda da Silva Lima, mãe da policial militar, desde o dia 5 de março de 2010, quando a filha morreu começou uma verdadeira peregrinação para provar que Leidynina não cometeu suicídio, mas foi morta por Pedro Moreira.

“Com a morte de minha filha, acabei também perdendo meu esposo que morreu meses depois", disse a mãe, informando que marido ficou muito amargurado com a morte da filha e essa seria uma das causas do seu falecimento.

Maria Hilda, disse ainda que pelo menos na Justiça comum, algo começa a ser feito porque na Polícia Militar até hoje não houve sequer uma advertência ao acusado. “Pelo contrário, o Pedro ainda foi promovido a capitão”, disse revoltada com a falta de punição ao oficial.