Kawah Ijen’ será estreia mundial no 21° Festival Amazonas de Ópera - Fato Amazônico


Kawah Ijen’ será estreia mundial no 21° Festival Amazonas de Ópera

Com a presença de elementos como vulcão indonésio, teatro de sombras, instrumento musical internacional, além de composições inéditas, o público de “Kawah Ijen” (Vulcão Azul) – última estreia do 21º Festival Amazonas de Ópera (FAO) – encontrará magia e cultura no palco do Teatro Amazonas. O libreto do brasileiro João Guilherme Ripper, baseado na história original de Fernando Barata, terá estreia mundial no dia 27 de maio, às 19h.

O FAO 2018 é uma realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (SEC), com patrocínio do Bradesco Prime – que celebra 10 anos de parceria com o festival –, incentivo do Ministério da Cultura (Minc) por meio da Lei Rouanet; além do apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e da Aliança Francesa.

A ópera conta a história do holandês Van Roory, dono de uma mineração de enxofre na Indonésia, que vende sua alma à deusa do vulcão, Roro, com o objetivo de conseguir enxofre da melhor qualidade, além de riqueza e conforto. Em troca, ele deve alimentar Roro ininterruptamente com a alma de jovens mineiros e de suas mulheres, que morrem ao inalar os gases do vulcão. A tragédia começa quando o holandês se apaixona por Nabila, esposa do chefe de polícia, mas não é correspondido. Van Roory então armará um plano que mudará seu destino e a vida de Nabila.

De acordo com João Guilherme Ripper, compositor de “Kawah Ijen”, o processo de criação contou com a participação de três países: Brasil, Portugal e Indonésia.

“A composição de tudo começou em Portugal, quando Fernando Barata, que escreveu a história que deu origem a ‘Kawah Ijen’, me falou do desejo de transformar isso em uma ópera. A partir daí, comecei a trabalhar e entrar em um processo curioso de agregamento de outras pessoas nessa jornada. O maior desafio foi juntar as três pontas: Brasil, Indonésia e Portugal”, conta Ripper. “Primeiro eu escrevi o libreto e depois comecei a escolher as canções. O decisivo foi receber o ‘sim’ do maestro Luiz Fernando Malheiro para realizar esta ópera no Teatro Amazonas. Esta é uma obra especialmente feita para o 21º Festival Amazonas de Ópera. No palco convergem todos os esforços que começaram há um ano”.

O elenco é formado por Homero Velho (barítono), que interpreta Van Roory; Isabelle Sabrié (soprano), como Roro; Carol Martins (soprano), interpretando Nabila; Daniel Umbelino (tenor), como Gandung; Juremir Vieira (tenor), como Kasidi; Murilo Neves (baixo), como Ahmed; Inácio de Nonno (barítono), que é Agus; e Matheus Sabbá, como empregado de Van Roory.

A soprano francesa Isabelle Sabrié, que também participou de “Faust” no FAO deste ano, interpretará a divindade indonésia que se alimenta da alma de jovens mineiros. Para a artista, o destaque de “Kawah Ijen” é a originalidade da ópera.

“Para mim é fascinante. Se trata de criar um papel que nunca foi cantado antes e que foi até escrito para minha voz, por isso, estou imensamente honrada e feliz. Para o Amazonas, uma cooperação com a Indonésia é um ganho imenso, o de  ter uma estreia mundial, algo muito raro no mundo da ópera internacional”, comenta a cantora.

Sabrié conta, também, que possui técnicas específicas para a interpretação em “Kawah Ijen”. “Neste papel estou me preparando tecnicamente com uma voz mais grave da que fiz em Marguerite. Estou trabalhando um pouco de dança da Indonésia, para que as atitudes e movimentos sejam parecidos com os movimentos indonésios”, revela a soprano. “O maior desafio para mim  é ser uma deusa  do mundo fantástico e mesclar isso com algo mítico e religioso,  contrastando com papeis que ao mesmo tempo são muito realistas”.

O Corpo de Dança do Amazonas (CDA), o Coral do Amazonas e a Amazonas Filarmônica darão brilho à apresentação sob a direção musical e regência de Marcelo de Jesus, direção cênica e desenho de luz de Willian Pereira, figurinos de Olintho Malaquias, cenários de Giorgia Massetani e coreografia de Tíndaro Silvano.

Gamelão – Outro destaque de “Kawah Ijen” é o Gamelão, instrumento musical coletivo típico das ilhas de Java e de Bali. O objeto é composto por xilofones, tambores, gongos, instrumentos de cordas e metalofones. O Gamelão foi encomendado e doado pelo Governo da Indonésia, por meio do embaixador Toto Riyanto, para o 21º FAO.

O diretor musical de “Kawah Ijen”, maestro Marcelo de Jesus, afirma que o instrumento, que será tocado por músicos portugueses, deve ser utilizado posteriormente para o ensino de percussionistas amazonenses.

“O Gamelão vai ser tocado por oito percussionistas de Portugal, isso porque uma das melhores percussionistas do mundo, Elisabeth Davis, do Teatro São Carlos, de Lisboa, participou da idealização da ópera e tem um grupo que toca Gamelão e que vem participar do FAO em Manaus. A ideia é que estes músicos ensinem como manusear o instrumento, para formarmos a primeira escola do gênero na América Latina”, explica o maestro.

Marcelo comenta, ainda, que o público de Manaus é muito privilegiado por receber uma estreia mundial. “Não é toda hora que temos a estreia de um compositor brasileiro, isso é mais um ineditismo do FAO. Sem contar que a obra é linda, com um elenco maravilhoso. Na composição, o Ripper fez uma verdadeira obra de arte”, afirma.

Além do dia 27 de maio, “Kawah Ijen” (Vulcão Azul) será reapresentada  nos dias 31 de maio e 2 de junho, às 20h, no Teatro Amazonas.

Os ingressos para as apresentações estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.aloingressos.com.br, com valores que vão de R$ 5 a R$ 60.

Festival Amazonas de Ópera – Este ano, o Festival conta com a apresentação de cinco óperas: “Faust”, “Dessana Dessana”, “Florencia en el Amazonas”, “Acis and Galatea” e a estreia mundial “Kawah Ijen (Vulcão azul)”. Os ingressos estão disponíveis na bilheteria do Teatro Amazonas e no site www.aloingressos.com.br, com valores que vão de R$ 5 a R$ 60.

Durante a temporada de ópera, também acontecerão atividades paralelas nos centros de convivências, shoppings, nos municípios de Manacapuru, Iranduba (no distrito do Cacau Pirera) e em Novo Airão; além do “Ópera Delivery”, que levará sessões exclusivas de trechos de obras à casa dos amazonenses, e do projeto “Ópera Studio”, da Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que apresentará “La Boheme”, de Giacomo Puccini, no Teatro da Instalação.

Sobre o Bradesco Cultura – Com mais de 350 projetos patrocinados anualmente, o Bradesco acredita que a cultura é um agente transformador da sociedade. O Banco apoia iniciativas que contribuem para a sustentabilidade de manifestações culturais que acontecem de norte a sul do País, reforçando o seu compromisso com a democratização da arte. Com apoio a eventos regionais, museus, feiras, exposições, centros culturais, orquestras, musicais e muitos outros, a instituição tem, ainda, uma plataforma de naming rights com o Teatro Bradesco, que conta com unidades em São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2018, já passaram pela Temporada Cultural do Bradesco as exposições Julio Le Parc, Mira Schendel e Hilma af Klint, o espetáculo Bibi Ferreira e o Lollapalooza Brasil. Estão em cartaz os musicais Peter Pan e Ayrton Senna, além de diversas atrações confirmadas ao longo do ano, como os festivais de Parintins, Tiradentes, a festa junina de São João do Caruaru, ArtRio, MIMO e MADE, entre outras.