LAVA JATO: Executiva do PT decide futuro de João Vaccari nesta sexta-feira - Fato Amazônico

LAVA JATO: Executiva do PT decide futuro de João Vaccari nesta sexta-feira

A Executiva Nacional do PT se reúne novamente nesta sexta-feira em São Paulo para decidir o futuro de seu enrolado tesoureiro nacional, João Vaccari Neto, na legenda. Com a prisão de Vaccari pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, a cúpula do partido optou pelo afastamento dele, o que ainda precisa ser debatido. Vaccari é acusado de ser o operador de propinas pagas por empreiteiras do petrolão como doações oficiais ao PT e também usadas para quitar débitos com uma gráfica mantida por sindicalistas do partido, entre eles um deputado estadual petista. O Ministério Público Federal também encontrou indícios de enriquecimento ilícito da mulher e da filha de Vaccari. Alvo de mandado de prisão, a cunhada dele está foragida e deve se entregar nesta sexta.

O partido ainda lida de forma com dúbia o caso Vaccari. Em uma primeira nota oficial, o PT disse que a prisão foi injustificada e que confia na inocência do tesoureiro – o afastamento do cargo de secretário nacional de Finanças, cobrado pela segunda maior ala petista, A Mensagem ao Partido, teve aval do ex-presidente Lula, mas foi creditado a um pedido do próprio Vaccari. Na semana anterior, seu advogado, Luiz Flávio Borges D’Urso, dizia que ele nunca teve intenção de sair, o que prejudicaria a estratégia de defesa por demonstrar o enfraquecimento de seu apoio político-partidário. Vaccari faz parte da principal corrente interna no PT, a Construindo um Novo Brasil, que comando o partido como campo majoritário.

Ao contrário escândalo do mensalão, quando o PT saiu publicamente em defesa dos seus filiados e ex-dirigentes acusados, que posteriormente foram condenados e presos, o partido agora pretende virar a página o mais rapidamente possível em relação ao envolvimento de Vaccari nos desvios da Petrobras e da Sete Brasil, revelados na Lava Jato. De acordo com a estratégia traçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo presidente do partido, Rui Falcão, as manifestações públicas devem parar na primeira nota pública. A ordem é "tocar a vida para frente" e deixar o caso nas mãos do advogado de Vaccari – sem, no entanto, virar as costas para o companheiro preso. Há um temor de que ele faça acordo de delação premiada caso se sinta pressionado pelos investigadores.

"Temos o governo, temos o 5º Congresso Nacional do PT [a ser realizado em junho]. A vida continua", disse o secretário nacional de organização, Florisvaldo Souza.

Internamente, porém, a prisão do tesoureiro continua repercutindo mal. Durante reunião da Executiva Nacional do PT nesta quinta, também em São Paulo, dirigentes avaliaram que a Lava Jato atingiu em cheio o partido no momento em que tanto o PT quanto o governo Dilma Rousseff se preparavam para reagir à crise política.

A direção fez uma avaliação positiva das últimas semanas citando sinais de desgaste do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na votação dos destaques do projeto de lei da terceirização, o início das mobilizações populares contra esse projeto, a queda do número de pessoas nas manifestações contra a presidente Dilma Rousseff e o recuo do governo em pontos das medidas provisórias que limitam direitos trabalhistas.

Segundo um cardeal petista, a prisão de Vaccari "paralisou as ações" e deixou o PT novamente na defensiva. Na reunião da cúpula petista, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato, foi alvo de muitas críticas. Um dirigente do PT chegou a falar, exageradamente, em "Estado de exceção". Petistas também classificaram a detenção como "uma prisão por razões políticas".

Substituto – O PT vai definir nesta sexta o nome do sucessor de Vaccari na Secretaria de Finanças, mas encontra dificuldade para encontrar um nome que aceite a tarefa. A direção quer colocar no cargo um petista com mandato parlamentar. A indicação caberá à corrente majoritária Construindo um Novo Brasil, de Vaccari. Até a noite desta quinta, a corrente havia sondado vários nomes sem conseguir convencer nenhum deles a aceitar.

Vaccari é o segundo tesoureiro do PT a ser preso. Delúbio Soares, um dos pivôs do mensalão, cumpre pena em regime semiaberto por envolvimento no escândalo. Embora Vaccari tenha pedido afastamento da tesouraria em caráter temporário por questões de ordem "práticas e legais", petistas consideram muito difícil que o tesoureiro tenha condições políticas de voltar à função futuramente.

Gráfica – A defesa do tesoureiro divulgou nota na qual classifica sua prisão como "uma profunda injustiça". O texto assinado por D’Urso diz que o decreto de prisão preventiva "teve por justificativa apenas conjecturas e prognósticos". O advogado negou que Vaccari tenha solicitado a um empreiteiro preso, Augusto Ribeiro Mendonça, da Setal Óleo e Gás (SOG), que fizesse pagamentos de 2,5 milhões de reais à Gráfica Atitude, que pertence a sindicatos comandados por petistas. A comprovação de que empresas comandadas pelo executivo pagaram ao menos 1,5 milhão de reais à gráfica foi um dos motivos que levaram o juiz Sergio Moro a decretar a prisão do tesoureiro. "O senhor Vaccari nada tem a ver com esse delator e com tais depósitos", diz a defesa.

D’Urso e sua equipe preparam o habeas corpus que será apresentado ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, instância superior à 13ª Vara Federal, de Sergio Moro. "O que tem de base para decretação da prisão preventiva? Primeiro são palavras de delatores, o que não constitui prova. Nenhum indício de prova existe para corroborar o que esses delatores falaram sobre Vaccari", disse D’Urso.

Segundo um advogado que esteve com Vaccari na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o tesoureiro "passou bem" a primeira noite na prisão e se mantinha "sereno". O petista divide a cela com mais uma pessoa.

Fonte Veja