BRASÍLIA – O líder do governo no Congresso e presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, que pretende apresentar até sexta-feira, 3, um projeto de lei para acabar com o sigilo de quaisquer investigações criminais. Pela proposta dele, essa medida valeria inclusive para as delações premiadas.

Para Jucá, a iniciativa evitaria a divulgação de vazamentos seletivos e a conta-gotas de informações. "Melhor é que as informações sejam divulgadas de uma única vez", disse ele, que também é presidente do PMDB.

O Palácio do Planalto é defensor da divulgação em uma só tacada das delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht. A avaliação no governo é que, apesar do provável impacto negativo das revelações para o governo e o Legislativo, a agenda política não iria ficar paralisada em razão da divulgação por partes do conteúdo das delações.

Em meio à provável divulgação do conteúdo das delações da Odebrecht, que poderá ser revelada por ordem do novo relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o governo pretende votar sua pauta no Congresso, que inclui principalmente a reforma da Previdência. A escolha do relator, que substituirá o ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo no dia 19 de janeiro, pode ocorrer ainda nesta quarta-feira, 1.

Apesar de líder do governo, o senador disse que a proposta é uma iniciativa dele. Destacou ainda que vai trabalhar, a partir da volta do recesso parlamentar, para tentar aprová-la no Congresso o quanto antes.

Na segunda-feira, 30, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, decidiu homologar as delações dos 77 executivos da Odebrecht, mas não retirou o sigilo do conteúdo dos depoimentos dos investigados.

Jucá elogiou a decisão de Cármen Lúcia, mas defendeu a divulgação do conteúdo das delações. O senador, que já é investigado na Lava Jato, já foi citado em reportagens como implicado em acusações que teriam sido feitas por executivos da Odebrecht, o que nega. "Eu acho importante homologar as delações, mas acho que deveria se divulgar o conteúdo também", destacou.

Fonte – Estadão