Militantes sem-teto invadem a cobertura do Edifício Solaris, onde fica o tríplex atribuído ao ex-presidente Lula, na Praia das Astúrias, no Guarujá (SP) - 16/04/2018 (Marcelo Justo/Folhapress)

VEJA | O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depõe na manhã desta terça-feira, 26, em um inquérito da Polícia Federal que apura a invasão ao apartamento tríplex do Guarujá, atribuído ao petista, pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O depoimento estava marcado para as 10h, na superintendência da PF em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre a pena de prisão na Operação Lava Jato. O inquérito, aberto pela delegada Luciana Fuschini, da PF em Santos, corre em sigilo.

A investigação começou depois que manifestantes do MTST e da frente Povo Sem Medo invadiram na manhã do dia 16 de abril de 2018 a unidade 164-A do edifício Solaris, na praia das Astúrias, no Guarujá (litoral de SP). A manifestação ocorreu quando Lula já estava preso. O petista começou a cumprir no dia 7 de abril do ano passado a pena em razão de sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro — justamente no processo do tríplex.

No inquérito, foram incluídas declarações de Lula em um discurso em 24 de janeiro de 2018, no dia em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seu recurso e aumentou sua pena para 12 anos e 1 mês de prisão. Após a decisão, o petista falou para militantes na Praça da República, em São Paulo. “Se eles me condenaram, me deem pelo menos o apartamento”, afirmou o ex-presidente. “Eu até já pedi para o Guilherme Boulos mandar o pessoal dele ocupar aquele apartamento. Já que é meu, ocupem.”

Além do discurso de Lula, a PF reuniu vídeos publicados nas redes sociais para identificar militantes presentes no ato. O órgão apura se houve “esbulho possessório”, termo jurídico para o ato de invadir uma propriedade. A decisão que condenou Lula entendeu que, apesar de o imóvel estar em nome da empreiteira OAS, ele foi prometido ao petista para possível transferência posterior.

A invasão durou apenas uma manhã. Liberados pela polícia, os militantes saíram pela portaria principal do edifício cantando: “A verdade é dura, o tríplex não é do Lula” (assista ao vídeo ao final da reportagem). “Eles afirmaram que queriam dar visibilidade à manifestação e que, após a chegada da imprensa, sairiam pacificamente”, afirmou na ocasião o capitão Eduardo Luiz da Silva, comandante da 1ª Cia do 21º Batalhão da Polícia Militar. Em maio, o tríplex foi leiloado por 2,2 milhões de reais, valor mínimo previsto no edital da Justiça e equivalente à quantia indevida que o ex-presidente teria recebido.