Perder um ente querido, seja um familiar ou um amigo, é quase sempre muito doloroso, e por mais que a morte seja natural, por vezes, pensamos ser inaceitável. Em um ano de grandes perdas, grandes tragédias, o luto do outro acaba comovendo nosso coração. Saber que não vamos mais ver, tocar e sentir o cheiro da pessoa que nos deixa neste plano, chega a ser, até mesmo, enlouquecedor, quando o luto não é vivido de forma consciente.

Mas viver luto é necessário? Segundo especialistas, o luto é um estado psíquico extremamente doloroso, associado à morte e às perdas. No entanto, por mais difícil que possa ser, é importante viver o luto para não viver de luto. De acordo com a psicóloga do Sistema de Saúde Hapvida, Danielle Azevedo, é imprescindível passar por todas as fases para o seu enfrentamento. O contrário pode provocar o “luto patológico”, que pode ocasionar doenças como depressão, transtornos de ansiedade e outras enfermidades.

“O luto se manifesta de formas diferentes dependendo do cenário que as pessoas estão vivendo e como enfrentam a situação. A vivência do luto acontece em cinco fases. A primeira fase pode ser reconhecida com base em reações e frases como: “Eu estou bem”, “não preciso de ajuda”. Em um segundo momento da fase do luto aparece a negação e raiva como o “isso não é justo comigo”, “porque Deus fez isso comigo?”, diz.

A terceira fase é a da barganha, quando as pessoas querem fazer uma negociação do tipo: “Eu faria qualquer coisa para ter ele (a) de volta”. Nesse caso tem pessoas que recorrem a espiritualidade e religiões para tentar amenizar a saudade e também a dificuldade de lidar com a perda.

Mais a frente aparece a fase depressiva em que a pessoa se nega a sair de casa e que acredita que a dor que está sentindo não vai passar. Essa é a fase em que a pessoa está se despedindo do luto, quando começa a entender que é um sofrimento, mas que precisa sair do fundo do poço e que para isso só depende dela. 

A última é a mais importante e a mais demorada. Essa é a fase da aceitação que pode ser bastante prolongada para algumas pessoas. Também conhecida como a fase da conformidade quando as pessoas começam a dizer que a morte trouxe a paz para quem partiu e para quem ficou. “Aceitar o luto sempre vai ser o melhor caminho, porque quando as pessoas negam, elas encapsulam o seu sofrimento, fazem com que aquilo fique muito mais aparente. É importante que as pessoas vivam, aceitem, sofram, chorem e revivam essas experiências porque vai chegar um momento que a saudade vai ser mais leve”, completa a psicóloga.

A especialista lembra ainda que buscar ajuda também auxilia no enfrentamento do processo de luto. “Dependendo da situação, a ajuda psicológica é fundamental. O mais importante é que a iniciativa parta da pessoa que está vivenciando o luto. Muita gente deixa de se alimentar, de trabalhar e aí interfere na vida psíquica e nesse ponto, a ajuda é essencial”, afirma.

Luto patológico

O luto patológico é quando a pessoa se sente impedida de viver em paz, passando a viver em função da ausência de quem partiu. Muita gente guarda as roupas, fantasia que a pessoa ainda continua por perto. Outras chegam até a colocar o prato na mesa como forma de simbolizar que a pessoas ainda está ali. Então, é como se essa pessoa não tivesse um descanso emocional.

“Com isso, se gera outros tipos de reações como as psicossomáticas, de comportamento, de bloqueio de relacionamento, sociabilidade. Sem contar nos transtornos de ansiedade, depressão e algumas outras coisas que podem ser ocasionadas por esse luto patológico”, finaliza Danielle Azevedo.