Essenciais para o bom funcionamento do organismo, tanto o colesterol quanto os triglicerídeos podem se tornar vilões da saúde quando produzidos em excesso e, na terceira idade, isso representa um sério risco ao desenvolvimento de problemas como Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), Acidente Vascular Cerebral (AVC), Diabetes, entre outras complicações.

Atualmente, quatro em cada dez brasileiros apresentam níveis de colesterol elevados e os adultos acima dos 60 anos são os mais afetados, representando 41% de uma população de 60 milhões de pessoas que sofrem com esse problema, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira da Cardiologia (SBC).

A endocrinologista Dorothy Aguiar, consultora médica do Sabin, afirma que esse quadro é resultado, principalmente, de hábitos alimentares inadequados e do alto índice de sedentarismo, agravando-se na terceira idade devido ao metabolismo mais lento.

Segundo a médica, o aumento do colesterol se deve aos alimentos ricos em gorduras.

“Vários fatores contribuem para o aumento do colesterol. No Amazonas, por exemplo, peixes como tambaqui, pacu, jaraqui e matrinxã, criados em viveiros, à base de ração, possuem uma elevada camada de gordura. Por isso, é importante não abusar. Os mais recomendados são a pescada, o tucunaré e o aruanã”, orienta.

Dorothy explica que o metabolismo mais lento dos idosos dificulta o processamento e conversão dos alimentos em energia. Daí a importância de não cometer exageros, mantendo uma alimentação mais rígida e balanceada, sempre acompanhada de exercícios físicos.

“Com a idade, você perde massa muscular, que é responsável pela metabolização do colesterol no sangue. Então, se o organismo não processa os alimentos de forma correta, aumenta o risco de desequilibrar os níveis de colesterol, mesmo com uma alimentação balanceada, por isso a atividade física é fundamental”, comenta a endocrinologista.

A especialista acrescenta que, em alguns casos, o desequilíbrio na taxa de colesterol está ligado à genética e, neste caso, somente a medicação pode normalizar a produção.

Em relação aos triglicerídeos, os alimentos que podem desequilibrar a taxa são, basicamente, compostos por carboidratos, a exemplo de doces, pães e massas em geral, que aumentam o açúcar no sangue.

A médica ressalta também que, no Amazonas, o alimento que mais contribui para o aumento da glicose no organismo da população é a farinha de mandioca, consumida diariamente, até por questões culturais.

“A farinha não tem nenhum benefício nutricional, pelo contrário, aumenta a glicose, pois é um carboidrato simples, que rapidamente se transforma em açúcar no organismo. Uma boa alimentação influencia no bem-estar e saúde de todos, mas para os idosos é essencial. Nunca esquecendo que exercícios físicos são necessários para controlar as taxas”, enfatiza.