Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

“Ela respondeu a todas as perguntas que os agentes lhe fizeram, está colaborando.” Ana Julia Quezada rompeu nesta terça-feira o silêncio que mantinha desde que foi detida, no domingo, como única suspeita pela morte do menino Gabriel Cruz, um crime que comoveu a Espanha nos últimos dias. Fontes da investigação disseram que ela confessou o homicídio. O resumo de um confuso e contraditório depoimento é, segundo essas fontes, que “o menino entrou voluntariamente no carro com ela” e, quando estavam no imóvel familiar, na localidade de Rodalquilar (sul da Espanha), a quatro quilômetros da casa da sua avó, de onde haviam saído, “o menino se irritou e a agrediu, e ela o matou para se defender”. A vítima tinha 8 anos. Ana Julia tem 44.

Essa confissão explicaria parcialmente alguma

s coisas, como o fato de não haver restos biológicos nem pegadas do menino no lugar onde supostamente foi visto pela última vez, na pequena localidade de Las Hortichuelas, onde vive sua avó. Mas abre outras incógnitas: por que o imóvel de Rodalquilar, que Ana Julia e o pai de Gabriel estavam supostamente preparando para morar, não havia sido detalhadamente inspecionado até agora pelas autoridades? Ou outras muito mais horríveis: a mulher levou o menino para lá já com a ideia de matá-lo? Foi tudo premeditado?

Enquanto Ángel Cruz, o pai, e Patricia Ramírez, a mãe, se despediam do seu filho na catedral da Almería, cercados pelo carinho de dezenas de autoridades e milhares de cidadãos comuns, Quezada, que era até agora namorada do pai do menino, começava a responder às perguntas dos investigadores, segundo informou sua advogada na saída do comando policial de Almería, por volta de 15h (11h em Brasília)

Ana Julia Quezada passou sua segunda noite na carceragem, onde, segundo fontes próximas ao caso, “dormiu placidamente”. Os investigadores continuam convencidos de que ela agiu sozinha.

A Guarda Civil pode mantê-la detida por 72 horas antes de colocá-la a disposição da Justiça. Ainda na tarde desta terça-feira, ela voltou com os agentes ao local do crime, onde na véspera se mostrara completamente hermética, para a reconstituição do ocorrido.

Seu depoimento pareceu surpreendente e em muitos momentos absurdo para os investigadores, que agora se esforçam em separar fatos de invenções e construir um relato coerente e verídico, baseando-se em todas as provas ao seu alcance.

A autópsia do menino já revelara, na segunda-feira, alguns detalhes da sua horripilante morte. Ele foi estrangulado no mesmo dia em que desapareceu. Após 12 dias de buscas angustiantes, seu corpo foi achado no porta-malas do carro de Ana Julia, que acabava de retirar o cadáver da caixa d’água do imóvel familiar de Rodalquilar, com a intenção de levá-lo para sua casa em Puebla de Vícar, onde vivia com Ángel Cruz. Ali foi interceptada pelos investigadores que haviam passado dias seguindo-a, por considerá-la a principal suspeita.

Escavações em Rodalquilar

Nesta terça-feira, os agentes da Polícia Científica da Guarda Civil começaram a escavar no lugar onde Ana Julia manteve oculto o corpo do menino. Os agentes puderam ver no domingo que ela tirou o corpo enrolado da caixa d’água e o colocou no porta-malas. Gravaram e fotografaram a cena, e então esperaram que ela chegasse ao seu destino para descartar o envolvimento de algum cúmplice.

O imóvel, que o casal formado por Ángel e Ana Julia estava reformando, tornou-se o principal cenário do crime a partir de então. Está sendo rastreado palmo a palmo, e agora, além disso, sendo escavado. Segundo fontes próximas à investigação, os familiares a inspecionaram amplamente “em várias ocasiões”, sem encontrar nada. Isso leva a crer que Ana Julia poderia ter mudado o cadáver de lugar várias vezes.


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •