Domingas Joseane Andrade Carvalho, 40, presa em flagrante por homicídio qualificado, cometido contra o próprio filho, Jhony Willian Carvalho Gonçalves, um bebê de um ano e cinco meses, disse em depoimento no 30º Distrito Integrado de Polícia que no momento do crime estava ouvindo vozes ordenando que ela matasse o filho.

De acordo com o delegado Miguel Ribeiro, o crime aconteceu na madrugada de sexta-feira (26/10), na rua Palmeirinha, antiga rua Canela, segunda etapa do loteamento João Paulo, bairro Jorge Teixeira, zona leste da capital.

O corpo da vítima foi encontrado ainda na tarde de sexta-feira, pela avó paterna do bebê, que foi decapitado. Domingas Joseane foi localizada por policiais militares lotados na 30ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) na noite sexta-feira (26/10), por volta das 18h, em uma banca de frutas situada na rua 20, segunda etapa do bairro São José Operário, Zona Leste da capital.

O coronel Ayrton Norte, subcomandante da PM, informou que a Polícia Militar  recebeu a ocorrência sobre o caso por meio do 190, o disque-denúncia da corporação. Em seguida, uma guarnição da 30ª Cicom foi até o lugar, onde encontrou o saco plástico com as partes do bebê. “O capitão Guilherme Sette imediatamente fez contato com os familiares da vítima e, trabalhando mais uma vez integrado com a Polícia Civil e com a Secretaria-Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai), da SSP, conseguiu chegar até Domingas, que estava segurando uma bíblia no momento em que foi encontrada”, disse.

Detalhes da ocorrência – Durante a coletiva, o capitão Guilherme Sette explicou detalhes da ocorrência. “No local fizemos contato com uma vizinha de Domingas, que nos relatou ter sido chamada ao local pela sogra da infratora, após a mulher avistar a casa com sangue e uma faca do tipo peixeira na pia. No primeiro momento, elas acharam que peixes estavam sendo tratados e acabaram lavando o lugar, inclusive a faca utilizada no homicídio. Então pegaram uma sacola que estava ao lado da pia, pois achavam que tinha peixe, e jogaram em um terreno baldio ao lado da casa”, esclareceu.

Ainda conforme o comandante da 30ª Cicom, depois de algumas horas, as testemunhas perceberam que muitas moscas começaram a aparecer na sacola plástica e, quando verificaram o conteúdo na sacola, perceberam a mão do bebê exposta. “A partir disso nos reunimos com a Polícia Civil e demais unidades de inteligência da SSP. Também entramos em contato com o máximo de familiares da infratora, para que dessa forma pudéssemos encontrá-la. Com isso, obtivemos a informação de que ela estaria no endereço denunciado e ao ser abordada, confessou o crime”, afirmou.

Ao longo da coletiva, o delegado Miguel Ribeiro comentou sobre os procedimentos adotados na delegacia. “Quero destacar, que se Domingas tem algum sinal de que está passando por um transtorno mental ou que não está com a sua sanidade mental íntegra, isso será discutido dentro do Inquérito Policial (IP). Vale ressaltar que descartou-se a hipótese de infanticídio, dado ao lapso temporal, o bebê já tinha um ano e cinco meses. Então pelos indícios não indicam o crime de infanticídio, mas sim de um homicídio qualificado”, argumentou.

Motivação – Conforme a autoridade policial, em depoimento na delegacia, a mulher confessou a autoria do homicídio. Ela alegou que no momento do crime estava ouvindo vozes ordenando que ela matasse o filho dela, pois ele se tornaria um grande dragão que devoraria pessoas. A mulher disse, ainda, que não lembra detalhes do crime, cometido por volta das 5h. “Há indícios de que ela estava passando por um surto psicótico. Ela relatou que ouvia vozes há alguns dias. A família estava ciente. Domingas chegou a realizar um tratamento psiquiátrico informal com o apoio da igreja”, ressaltou.

O secretário da SSP-AM, coronel Amadeu Soares, comentou sobre o depoimento do pai da vítima. “O pai do bebê já foi ouvido e está indignado, mas tem conhecimento da condição da companheira dele. Como todos nós, está bastante abalado com o que aconteceu. Somente uma explicação como essa, acerca do estado mental de Domingas, pode explicar o que aconteceu. Durante o processo, não sabemos se o Ministério Público do Amazonas ou a Defesa de Domingas vai arguir alguma coisa sobre o estado mental da saúde da mulher”, pontuou.