Por Patrícia Marins – Cheguei ao evento que mais me faz pirar o cabeção. Considerado o maior festival de economia criativa do mundo, o SXSW é realizado anualmente em Austin (Texas) e reúne uma multidão (perto de 100 mil pessoas) de diferentes tribos para discutir tendências de inovação em inúmeras indústrias. Serão mais de 600 painéis de debates sobre temas ligados a marketing, mídia, comunicação, design, mobilidade urbana, moda, música, esportes, saúde, educação, biotecnologia, política e várias outras áreas.

No ano passado, quando vim ao festival pela primeira vez, escrevi um texto cujo título resume o impacto que ele me causou: “Inteligência artificial e gente na semana em que a minha cabeça deu um nó”.

Estar no South by Southwest, o nome por trás da sigla SXSW, é dar um “reboot” no cérebro. É se permitir desaprender tudo que você aprendeu até aqui e tomar contato com coisas novas em diferentes áreas.

O festival começou na sexta-feira (8) e vai até 17 de março. Como fiz ano passado, evitarei ir às palestras da área de comunicação, onde geralmente se vê mais do mesmo (a não ser que seja um palestrante incrível!). Prefiro explorar o novo e abrir a cabeça para assuntos sobre os quais nunca ouvi falar, como por exemplo as evoluções do bio-hacking ou a regulamentação do espaço aéreo, que estará em discussão em painéis de mobilidade urbana, em que será avaliado o papel dos táxis aéreos e dos drones-ambulância.

Todos os anos, o festival inova na programação, incluindo assuntos que estão em alta no mundo. Em 2018, o SXSW explorou muito a temática do blockchain e das criptomoedas, além de acrescentar na sua programação o debate sobre o futuro das cidades, realizando mais de 50 painéis somente sobre essa questão. Este ano, a maior novidade é discussão a respeito da indústria da cannabis (cannabusiness é o termo usado aqui). Haverá 40 sessões para discutir não apenas regulamentação, comportamento e cenários futuros, mas também possíveis usos da maconha e dos seus subprodutos com fins medicinais e também em comidas e bebidas.

As tecnologias ditas imersivas estão sempre entre as tendências mais debatidas nas edições recentes do SXSW. Em 2019, a bola da vez é a XR (realidade estendida ou cross reality), expressão que abrange as várias formas de realidade alterada por computador, incluindo: Realidade Aumentada, Realidade Mista e Realidade Virtual (AR, MR e VR, em inglês). Essas tecnologias não estão mais em fase de experimentação, já são realidade em nosso dia a dia. Estará em debate a aplicação dessas novas linguagens em diferentes indústrias e na educação. O ponto central das reflexões é como tirar proveito delas para ampliar o seu uso científico e as experiências para marcas.

Blockchain também é uma realidade que veio para ficar, e por isso precisa ser entendida. Nesta edição do festival, o foco será na regulamentação e no seu uso em áreas como mercado financeiro, branding, arte, produção editorial, eleições e até mesmo no combate à miséria.

As novas formas de trabalho e as profissões de um futuro cada vez mais próximo são destaques do festival. Robótica, automação e inteligência artificial estão mudando tudo em relação ao mercado de trabalho, pondo fim a muitas atividades que hoje ainda são realizadas por pessoas. Ao mesmo tempo, diversas novas possibilidades e profissões vão surgindo. Esses temas combinados à discussão sobre a evolução de sistemas educacionais, permeiam inúmeros debates que abordam os comportamentos exigidos para conquistar e manter empregos nos próximos anos.

O SXSW 2019 ainda tratará da ampliação dos serviços de assinaturas de entretenimento, no estilo Netflix, e os desafios criativos e as possibilidades de criação de conteúdo a partir da apropriação das tecnologias digitais.

Muitas das conversas do SXSW deste ano vão girar em torno do conflito crescente entre a nossa dependência cada vez maior na tecnologia e a desconfiança que existe em relação aos meios digitais. Como sabemos, eles tornaram por um lado nossa vida mais fácil, ao mesmo tempo em que se transformaram em veículos poderosos para a disseminação de informações falsas. Vivemos conectados a redes que expandem as possibilidades de comunicação, mas também produzem muita confusão e não são seguras o suficiente.

Não vejo a hora de assistir a Brené Brown, autora e pesquisadora de best-sellers sobre coragem, vulnerabilidade, vergonha e empatia (seu TED talk sobre o poder da vulnerabilidade é um dos mais assistidos); Kevin Systrom, CEO e cofundador do Instagram; Howard Schultz, fundador do Starbucks; os escritores Neil Gaiman e Rohit Bhargava; e a psicoterapeuta Esther Perel (repeteco da palestra que mais amei no ano passado), entre tantos outros feras.

Sem falar dos eventos paralelos, do pavilhão de exibição de novas tecnologias, dos lançamentos de filmes, dos shows de música, do festival de games, da exposição de arte em posters, do festival de cinema virtual, da wellness expo, das ativações dos patrocinadores!!!! Vixe! Minha cabeça vai dar um nó novamente! Tomara. Está oficialmente aberta a “missão inovação”. I can’t wait!