A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anunciou nesta segunda-feira, (29/10), que não tentará se reeleger em dezembro como líder da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão), partido que preside desde 2000, e tampouco será candidata a liderar o governo ao final da atual legislatura, em 2021.

Seu propósito de deixar a chefia do partido neste mesmo ano e de se retirar da Chancelaria tinha sido apontada na manhã de hoje por vários veículos de imprensa, que citaram fontes da CDU, após a forte queda de votos de sua grande coalizão nas eleições regionais de ontem no estado federado de Hesse.

“A imagem que dá a grande coalizão é inaceitável”, admitiu a chanceler ao anunciar sua decisão, vinculada aos resultados obtidos em um pleito que qualificou de “amargo” e que atribuiu “não ao trabalho de nossos amigos em Hesse”, mas aos conflitos internos que persistem em sua aliança de governo em Berlim.

Merkel disse que nos seus 18 anos à frente do partido e quase 13 como chefe do governo sempre assumiu a responsabilidade “sobre o que vai bem e o que vai mal”, lembrou que “não tinha nascido chanceler” e que, após “longas reflexões”, decidiu começar a entregar cargos “que sempre quis executar com dignidade e deixar com dignidade”.

Como possíveis sucessores já despontam vários nomes, entre eles a secretária-geral da CDU, Annegret Kramp-Karrenbauer, escolhida em fevereiro de 2018 por designação de Merkel, e o atual ministro da Saúde e representante da ala mais à direita do partido, Jens Spahn.

Tanto Annegret como Spahn já se mostraram dispostos a se candidatar, segundo a própria Merkel, enquanto a imprensa alemã especula uma possível candidatura do ex-chefe do grupo parlamentar conservador, Friedrich Merz, um dos grandes inimigos internos da chanceler.

A eleição do próximo presidente da CDU vai acontecer no congresso do partido, que será realizado de 7 a 8 de dezembro em Hamburgo. (EFE)