Ministro pede pauta para julgamento de embargos do MP em ação que cassou Melo no TSE - Fato Amazônico

Ministro pede pauta para julgamento de embargos do MP em ação que cassou Melo no TSE

O ministro Luís Roberto Barroso, do Tribunal Superior Eleitoral pediu nesta quinta-feira (17) pauta para julgar os embargos declaração interpostos pelo Ministério Público Eleitoral, no Recurso Ordinário de número 0002246-61.2014.6.04.0000 que resultou na cassação por compra de votos nas eleições de 2014 do ex-governador José Melo (Pros) e de seu vice, Henrique Oliveira (SD).

De acordo com consulta ao site do TSE o pedido de Roberto Barroso foi encaminhado nesta quinta-feira, por volta de 11h58 (horário Brasília) para publicação no Diário Eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral. Caberá ao presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes incluir na pauta de julgamento do Pleno o que poderá ocorrer na próxima semana.

O julgamento dos embargos foi a condição que o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu decisão na qual manteve a realização de novas eleições para governador e vice-governador do Amazonas, mas coloca condições à diplomação dos futuros eleitos. Na Ação Cautelar (AC) 4342, o ministro concluiu que a diplomação depende do desfecho do caso no Tribunal Superior Eleitoral, com julgamento de embargos de declaração e publicação do respectivo acórdão por aquele tribunal.

Em 4 de maio deste ano, o TSE, ao julgar recurso, manteve a condenação do governador eleito nas eleições de 2014, José Melo de Oliveira, e do vice, José Henrique de Oliveira, por captação ilícita de votos, e determinou a cassação dos mandatos. A Corte Eleitoral determinou ainda a realização de novas eleições, agendadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) para o dia 6 de agosto, já realizada (primeiro turno).

Em 28 de junho, liminar deferida pelo ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a realização do pleito enquanto não fosse concluído pelo TSE o julgamento de embargos de declaração apresentados pelo governador e vice cassados. No entanto, durante o plantão do STF nas férias forenses de julho, o ministro Celso de Mello rejeitou o trâmite da AC 4342, restaurando os efeitos da decisão do TSE que determinou a realização das eleições suplementares. Houve agravo regimental do vice-governador cassado, José Henrique de Oliveira, contra essa decisão monocrática, requerendo a suspensão das eleições.

Antes da análise do agravo, o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, em resposta a ofício do ministro Lewandowski, informou que a finalização da carga e o lacre das urnas ocorreu dia 3 deste mês, e que este procedimento praticamente encerra o calendário eleitoral, restando somente a realização das eleições. Esclareceu ainda acerca da jurisprudência da Corte eleitoral sobre a execução do julgado em casos envolvendo cassação de governador.

Diante do novo quadro fático, e considerados os precedentes jurisprudenciais trazidos nas informações, “e em respeito aos princípios da segurança jurídica, do devido processo legal, da ampla defesa e da razoabilidade”, o ministro Lewandowski reconsiderou em parte a decisão agravada. Ele mantém a realização das eleições, mas condiciona a diplomação dos novos governador e vice-governador ao julgamento dos embargos de declaração já apresentados ao TSE, e à publicação do respectivo acórdão.