Movimento de mulheres e Sine defendem cota à trabalhadoras com mais de 40 anos de idade para combater a falta de empregabilidade - Fato Amazônico

Movimento de mulheres e Sine defendem cota à trabalhadoras com mais de 40 anos de idade para combater a falta de empregabilidade

A destinação de cotas a trabalhadores, em especial as mulheres, acima dos 40 anos de idade, nas empresas e fábricas de Manaus, foi uma das medidas apontadas como solução para a dificuldade encontrada por mães de família na hora de procurar um emprego. A proposta foi apresentada durante Audiência Pública da Comissão de Defesa e Proteção dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Manaus (CDPDM/CMM), de propositura das vereadoras professora Jacqueline (PPS) e Vilma Queiroz (PROS). A presidente da CDPDM/CMM, professora Jacqueline adiantou que estuda a possibilidade de transformar a medida em Indicação.

Conforme a parlamentar, são muitas as reclamações, de mulheres acima dos 40 anos, que não conseguem empregos formais e por isso, partem para a informalidade. “Recebemos muitas reclamações, sempre de mulheres acima dos 40, que não conseguem emprego formal. Por isso, após a audiência vamos fazer um documento para encaminhar para empresas do Distrito Industrial, para o Sine, secretarias do direito das mulheres, porque é importante mostrarmos que existe uma preocupação e que nós podemos contribuir com alguma melhoria. Trazer como proposta para que nas convenções dos sindicatos, na data base, eles coloquem em pauta a criação de cota destinada para mulheres acima dos 40 anos. Precisamos ter um o incentivo para que as empresas empreguem mulheres acima de 40 anos e que as empresas ganhem bônus por isso”, defendeu Jacqueline.

A medida também é defendida pelo diretor do Sistema Nacional de Emprego de Manaus (Sine/Manaus), Adonai Sabá, que esteve na reunião. “Nós encaminhamos para as seleções dos Recursos Humanos pessoas conforme o perfil que as empresas solicitam, mas a questão da idade está subterfugicamente intrínseca no interesse das empresas. Entendo que seja uma bobagem, porque quem tem 40 anos, tem o vigor de querer produzir e trabalhar muito mais que uma pessoa de 18 anos. Então, coloquei nessa audiência, que os sindicatos coloquem em pauta das reivindicações da classe para inserir na convenção coletiva de trabalho, essa questão da idade. Não tem cota para o deficiente físico?Não tem cota para negros? Porque não trabalhar para garantir espaço para essa pessoas que ainda podem contribuir com o mercado de trabalho”, alertou.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentados pela vereadora Vilma Queiroz, no Amazonas das 490 mil mulheres acima dos 40 anos, apenas 238 mil estão em situação economicamente ativa. Sendo que 94,8% das mulheres ainda dominam os serviços domésticos. “Apesar de toda a preparação intelectual que a mulher adquiriu, os serviços domésticos são os maias exercidos. Sem mencionar a desigualdade salarial, que também ainda existe”, destacou.

Denúncias

De acordo com a representante da Associação de Mulheres para Mulheres Promotoras Legais Fénix no Estado do Amazonas e do Sindicato dos Vendedores Autônomos e prestadores de serviço, Alzira Nogueira, de fevereiro a abril já foram registradas na associação, pelo disque denúncia 3307-9985, cerca de 2 mil denúncias contra Recursos Humanos de Manaus devido ao preconceito praticado por essas instituições. Setenta por cento dos registros são de mulheres acima de 40 anos. “O preconceito já começa na entrevista, tanto para mulheres quanto para com os homens acima dos 40. Queremos levar essas denúncias às autoridades para identificar a falha. Se está no empregado ou no empregador”, ressaltou.

Participaram também das discussões, a vereadora Therezinha Ruiz (DEM), secretário Municipal de Trabalho, Emprego e Desenvolvimento, Guto Rodrigues, representante da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, Francisco Rodrigues, a secretaria Executiva de Política para Mulheres do Amazonas (SEPM-AM), Márcia Álamo e a presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica no Amazonas (ABMCJ), Dra. Maria Gláucia Barbosa Soares.