Naufrágio do Comandante Sales que matou 48 pessoas em Manacapuru é lembrando por moradores - Fato Amazônico

Naufrágio do Comandante Sales que matou 48 pessoas em Manacapuru é lembrando por moradores

Os moradores de Manacapuru, lembraram ontem do naufrágio do barco “Comandante Sales” que naufragou há 6 anos na margem esquerda do rio Solimões, nas proximidades do município, matando 48 pessoas. Os passageiros da embarcação retornavam da "Festa do Raimundo Souza", patrocinada por uma família tradicional da região, que vive na comunidade "Lago Pesqueiro".

“Nesse dia nossa cidade parou”, disse o funcionário público, Humberto Cordeiro, morador da avenida Eduardo Ribeiro, Centro de Manacapuru, via localizada em frente ao porto da cidade.

“A todo momento chegavam barcos com vítimas fatais e vivas do naufrágio”, lembrou, afirmando que apesar do tempo, ainda lembra do desespero dos familiares das vítimas que morreram e que em sua maioria moravam em Manacapuru.

Para a autônoma Maria de Nazaré Souza, o dia em que se completa 6 anos do acidente é bom para as pessoas refletirem. “Nossa cidade, na época, ficou de luto por dias pelas dezenas de pessoas que perderam a vida”, afirmando com lágrimas nos olhos ao falar da tragédia que abalou Manacapuru.

Causas do acidente

De acordo com laudo pericial na época, o acidente teve como causas determinantes o excesso de pessoas a bordo, alterações estruturais realizadas sem o acompanhamento de um responsável técnico habilitado, a falta de habilitação do condutor, a quantidade insuficiente de coletes salva-vidas e ausência de aparelho flutuante ou bóias salva-vidas.

Júri Popular absolveu comandante

Luis Alves de Sales, da embarcação que naufragou, foi absolvido no julgamento pelo naufrágio do barco, “Comandante Sales”, ocorrido em maio de 2008, no rio Solimões e que resultou na morte de 48 pessoas.

O comandante foi levado a júri popular, naquele que é considerado o primeiro julgamento por acidente fluvial da Amazônia. Os jurados o inocentaram por quatro votos a três.

O julgamento de Luis Alves, começou às 11h do dia 15 de maio de 2009, um ano depois do acidente e terminou na madrugada de quarta-feira. Nove sobreviventes do acidente deram seus depoimentos durante a sessão.

Luis Alves de Sales, foi o único a ser preso pelo acidente. O dono do barco, Francisco Sales, morreu no acidente. Além da falta de habilitação do condutor, o barco “Comandante Sales” não tinha autorização da Capitania dos Portos para navegar. A maioria dos 48 mortos moravam em Manacapuru e a maioria eram familiares e amigos que voltavam ao município após uma festa religiosa em uma comunidade ribeirinha.

Ação civil coletiva

O Ministério Público Federal ingressou em maio do ano passado com uma Ação Civil Coletiva, assinada pelo Procurador da República Felipe Augusto de Barros Carvalho Pinto, contra a União e Luiz Alves Sales, onde pede o pagamento de danos materiais e morais às vítimas do naufrágio, bem como a seus familiares, condenando-se os réus aos ônus da sucumbência.

Ao falar da União, no polo passivo da demanda, o procurador afirma que ela foi omissão na fiscalização exercida através da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, e que foi determinante para o naufrágio da embarcação Comandante Sales.

Os autos que estão nas mãos da juíza Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal, esta tramitando a passos largos e em breve o comandante da embarcação, que se livrou da condenação do banco dos réus e União, poderão ter de pagar uma indenização aos familiares das vítimas.