O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, recebeu US$ 300 mil de um magnata para custear sua defesa legal em casos de corrupção nos quais é investigado, sem passar pela aprovação do comitê responsável por estes assuntos vinculados a membros do gabinet, revelou nesta quinta-feira (10/01) o jornal “Haaretz”.

Netanyahu e sua esposa, Sara, receberam o dinheiro do empresário, Nathan Milikowsky, primo do líder, sem o sinal verde do comitê do Escritório do Controlador do Estado, encarregado de analisar se as ações dos ministros do Governo podem representar um conflito de interesses, e decidir quais atos são admissíveis e quais não, segundo informação obtida pelo jornal.

Recentemente, este comitê rejeitou um pedido do chefe do Executivo para receber assistência financeira de Milikowsky e do também magnata americano, Spencer Partrich, diante de três casos nos quais a polícia recomendou acusá-lo por corrupção – em um deles também envolve sua esposa – e que agora são investigados pela Promotoria.

Trata-se dos casos 1000, que analisa a recepção de presentes de luxo em troca de favores – e durante o qual Milikowsky e Partrich prestaram depoimento à polícia -, 2000 e 4000, que avaliam possíveis pactos ou troca de favores em troca de coberturas favoráveis em importantes grupos de comunicação.

“O financiamento de desembolsos legais derivados de uma investigação criminal, que inclui a suspeita de atos criminosos conectados com várias pessoas ricas, não deveria ser feito por gente rica”, argumentou então o comitê.

“Este financiamento pode danar a confiança pública no governo no contexto da integridade (…) Sob as circunstâncias, dar permissão para romper com as normas não está justificado e nem é apropriado desde a perspectiva pública”, acrescentou.

Há dois dias, Netanyahu teria apresentado um novo pedido ao comitê para deixar que estas pessoas já citadas custeiem os trabalhos de sua equipe legal, fornecendo mais detalhes que não tinham sido incluídos na primeira solicitação, como qual quantidade espera receber dos doadores, quanto já foi doado e para quais casos seriam destinados o montante, informou por sua vez o jornal digital “Times of Israel”.

O primeiro-ministro, que enfrenta eleições antecipadas em 9 de abril após a ruptura da coalizão de governo, defende sua inocência e insiste que “nada haverá porque nada houve”.

(EFE)