Nota do Ministério Público Federal para calar moradores do Sul do Amazonas, não agradou - Fato Amazônico

Nota do Ministério Público Federal para calar moradores do Sul do Amazonas, não agradou

A população de Apuí, Santo Antônio do Matupi (Distrito de Manicoré) e Humaitá, não gostaram nada da nota do Ministério Público Federal, que recomendou a retirada em 24 horas de publicações já feitas e abstenção de novas mensagens no Facebook, portais de notícia e outros veículos de imprensa da região dos municípios no sul do Amazonas, que contenham informações com conteúdo discriminatório, preconceituoso ou que incitem a violência, o ódio e o racismo contra os povos indígenas da região, em especial o povo Tenharim.

No facebook do Portal de Apuí, foi postado neste sábado, um desabafo com o título“Agora a CULPA é nossa?”,onde diz “INDÍGENAS sequestram caminhões, mataram pessoas, cobraram pedágio ilegal durante anos e ninguém viu. Três homens estão desaparecidos desde o dia 16 de dezembro e até hoje ninguém fez nada… FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS não cumpriram com a tarefa de prestar seus serviços à população. Foram omissos e permitiram as coisas chegarem onde chegou”.

O Ministério Público Federal, ao invés de tentar de coibir os direitos dos cidadãos de expressarem suas opiniões seja no Facebook, whatsapp ou até mesmo nos blogs, deveria ter tomado as providências para que o caos que está ocorrendo no Sul do Amazonas, não chegasse ao ponto de um conflito entre os moradores e os índios.

O MPF, deveria também, como fiscal da Lei, ter cobrado da Polícia Federal, Funai e até mesmo do governo federal, uma atitude a respeito do desaparecimento do professor Stef Pinheiro de Souza, Aldeney Ribeiro Salvador, que é gerente da Eletrobrás Amazonas Energia em Santo Antônio do Matupi, e do representante comercial Luciano da Conceição Ferreira Freire, que sumiram quando trafegavam pela Transamazônica, há mais de 10 dias e nenhuma autoridade tomou uma providência a não ser agora depois do caos que ocorreu no último dia 25 em Humaitá e o que está ocorrendo em Apuí.

Os familiares das vítimas, buscaram por dias uma resposta, querendo saber se os três moradores estão vivos ou mortos. Querendo apenas que os órgãos com poder de adentrar as aldeias o fizessem e dessem uma resposta aos moradores.

Mas, até o agora, apesar do clima de conflito que vive hoje o Sul do Amazonas, as autoridades ao que parece continuam inertes e de braços cruzados vendo os acontecimentos que graças a Deus, ainda não ocorreu o pior, um conflito armado entre índios, hoje acuados, e a população revoltada com o ocorrido.

No meio disso, aparecem com certeza os aproveitadores, que com o desaparecimento das três pessoas, resolveram unir o útil ao agradável e tentar acabar com a cobrança irregular de pedágios por índios na Transamazônica.

Os pontos de cobrança e as casas de apoio para cobrança do pedágio ilegal foram destruídos

Reunidos, aproveitadores, que nada tem haver com o desaparecimento dos três cidadãos, não são da família, promoveram o caos em Humaitá, no dia 25 e ontem derrubaram os pontos de apoios usado pelos índios para cobrança de pedágios.

Não estamos aqui, para dizer quem tem a razão, MPF, índios ou moradores, mas para cobrar das autoridades uma ação para resolver esse impasse que com certeza acabaria assim que uma resposta a respeito do desaparecimento dos homens fosse dado aos familiares e a população e não tentar amordaçar quem tenta expressar sua opinião, pois vivemos em um Estado Democrático de Direito, onde a Constituição permite a livre expressão do pensamento e a população não está discriminando os índios ela quer uma resposta do poder público para que a harmonia possa ser restaurada o quanto antes.