Esperança e vida nova: estas duas palavras resumem bem o sentimento dos doentes renais crônicos do Amazonas, após a ampliação, pela Secretaria de Estado da Saúde (Susam), do número de vagas para hemodiálise. Na última semana, foram abertas mais 200 novas vagas para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), zerando a fila de espera para esse tipo de procedimento.

Cláudia Regina, de 27 anos, é paciente renal desde 2017. Ela conta que veio do município de Alenquer, no interior do Pará, em busca do tratamento em Manaus. Na última sexta-feira (19/10) ela foi chamada para iniciar os procedimentos de atendimento na clínica Pronefro, conveniada do SUS, onde foram abertas as novas vagas. “Vou iniciar meu tratamento. É uma nova vida e uma nova caminhada que estão começando. E uma vida muito melhor, com todos os cuidados e atenção de que precisamos”, afirmou. Na avaliação dela, as novas vagas representam maior qualidade de vida não só para ela, mas para todos os pacientes renais do Estado, que ainda aguardavam para ser atendidos.

A manauara Lucimar Moraes, de 50 anos, também já iniciou o tratamento. Ela conta que o atendimento representa um alívio para toda a sua família que, junto com ela, estava vivendo uma verdadeira corrida contra o tempo. “A abertura dessas novas vagas foi uma iniciativa maravilhosa e que veio na hora certa. Estamos lutando há muito tempo pela minha saúde”, ressaltou. “A partir de agora, a minha expectativa é, cada vez mais, de melhora e de recuperação”, frisou Lucimar.

A presidente da Associação dos Renais Crônicos do Amazonas (Arcam), Renata Carvalho, diz que as novas vagas representam muito para os pacientes. “Um doente renal crônico precisa fazer hemodiálise pelo menos três vezes por semana. Não é exagero falar que se trata de um caso de vida ou morte. Portanto, é um grande avanço”, explica.

Apesar de não representar a cura, o tratamento com hemodiálise garante a sobrevivência dos pacientes e um ganho de qualidade de vida. Para Renata, a oferta deste tipo de serviço pela Susam garante uma vida mais próxima possível do normal às pessoas que necessitam do tratamento. “Quando chegam pela primeira vez a uma clínica de hemodiálise, muitas vezes os pacientes vêm debilitados, fracos. Muitos chegam acamados ou em cadeira de rodas. Com um mês de hemodiálise regular esse paciente já fica renovado e poderá seguir adiante, até a chegada do tão esperado transplante”, esclarece.

Como representante da Arcam, ela reforça que a Associação está muito feliz com essa conquista, proporcionada pela atual administração da Susam. “Estamos juntos nesta caminhada”, declarou.

O médico nefrologista Valquir Santos, sócio proprietário da Pronefro, também ressalta a importância do convênio para tirar as pessoas das filas dos prontos-socorros e garantir qualidade de vida aos pacientes. “Este serviço significa, literalmente, vida. Tratando dos pacientes renais agora, conseguimos evitar maiores complicações”, destacou.

Prevenção – Apesar do trabalho incansável, ele lembra de que todo dia surgem pacientes novos. O médico cita dados estatísticos da Sociedade Brasileira de Nefrologia que apontam que cerca 200 pacientes por milhão de habitantes chegam, diariamente, ao estágio final de doenças renais. “A população está envelhecendo, estamos vivendo mais. Também estamos cada vez mais acima do peso, com sobrepeso ou obesidade. Com isso, teremos mais casos de diabetes e hipertensão, principais fatores que podem ocasionar as doenças renais”, alertou.

Para frear a chegada de novos pacientes ao estágio final da doença (hemodiálise e transplante), ele destaca a importância de se trabalhar na prevenção. O profissional recomenda a adoção de hábitos saudáveis, como a ingestão de líquidos, prática de exercícios, manutenção do peso ideal e controle da pressão arterial. O fator genético também deve ser observado. “Observamos jovens com histórico de diabetes na família, já acima do peso antes dos 30 anos. Essa pessoa, portanto, tem grandes chances de, aos 40 anos, estar diabético e, aos 50, doente renal crônico”, orienta.

Cálculos renais e infecção urinária também são fatores de risco. “Eventualmente, temos pacientes renais crônicos por causa de pedras nos rins, uma doença facilmente evitável”, conclui o médico.