O que tem a ver hummus com graça? - Fato Amazônico


O que tem a ver hummus com graça?

“Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5:20).

Enquanto visitava a feira dos produtores locais, na semana passada, parei em uma banca que vendia um de meus alimentos favoritos: hummus. Nessa banca, o vendedor por trás da mesa estava distribuindo gratuitamente amostras em pedaços de pão sírio que tinham quase um quarto do tamanho da unha de um polegar. Tive de manter meus olhos fixos na porção pra me certificar de que ela não desapareceria durante a meticulosa passagem da sua mão para a minha. Com apenas um cantinho para segurar, você tinha que inclinar a cabeça para trás e lançá-lo em sua boca para comê-lo.

O vendedor perguntou ao homem ao meu lado se havia gostado da prova. Ele hesitou e então respondeu: “Bem, na verdade eu não consegui provar nada, a amostra era muito pequena!” O vendedor ficou na defensiva e culpou seu chefe mesquinho pelo tamanho das provas,pois só queria manter os lucros.

Depois de minha “provinha”, segui para a próxima banca de hummus, comandada por um dinâmico jovem árabe. “Você é coreana? Japonesa? Chinesa?”, ele me perguntou imediatamente. “Como você diz ‘oi’ em chinês? Como você diz ‘como vai?’? Eles são a mesma coisa?”

Enquanto ele tagarelava, meu deu um, dois e então três pedaços de pão sírio da metade da palma da mão, cada pedaço encharcado com hummus com alho, hummus com pimenta vermelha e hummus com alcachofra. Após me dar o primeiro, eu tentava revesar uma mordida com uma resposta às suas perguntas, mas depois que o comi, recebi mais dois em minha mão. Cada sabor parecia mais delicioso do que o anterior, mas, por fim, tive de lhe dizer para não me dar mais provas, pois temia que não mais fosse capaz de segurá-las e que iria deixá-las cair.

Ele encolheu os ombros diante de minha recusa e despejou a amostra sobre a pilha do homem ao meu lado, que também estava tentando manuseá-las sem derrubá-las. Era o mesmo homem que reclamara da amostra na barraca anterior. Imagino que ambos éramos fanáticos por essas provas. Depois ensinei ao vendedor como flertar em chinês com a próxima freguesa chinesa que viesse à sua banca, ou, pelo menos, como iniciar um diálogo. Não pude ir embora sem comprar algo. A despeito do cartaz anunciando “3 por $10”, desculpando-me, segurei as únicas três notas de $1 que tinha comigo e ele, com muito prazer, pegou-as em troca um pote do meu recém-coroado favorito, o hummus de alho e cebolinha.

Ao me retirar da banca, que ficava cada vez mais lotada, com um recipiente de hummus a mais do que havia planejado comprar, não pude deixar de pensar de que é ASSIM que se vende hummus! Ele foi o melhor “evangelista de hummus” que já conheci! Claramente gostava de vender a iguaria. Ele não estava preocupado com o fato de que, se desse uma amostra maior, os clientes iriam prová-la e seguir em frente sem comprar nada. Ele confiava que os clientes seriam fisgados pela qualidade do produto, ou, pelo menos, se sentiriam constrangidos por não comprar algo.

Embora nunca devêssemos constranger as pessoas a aceitarem o evangelho, me peguei pensando que, se verdadeiramente acreditamos na graça de Deus, não devemos temer dá-la generosamente. Com muita frequência, temo mostrar muito da graça pensando que as pessoas não a merecem e podem desperdiçá-la. Contudo, ao distribuir miseravelmente gotas da graça, isso reflete pobremente o Mestre a quem sirvo. A consciência do tamanho da graça que Deus nos tem concedido, “sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8), deveria nos levar a distribuí-la generosa e liberalmente entre os que nos cercam, confiando que aqueles que a provarem e virem quão boa ela é, desejarão descobrir onde poderão obter mais dela para si.

“Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5:20).