Parintins sofre apagões por conta de racionamento da Eletrobrás Amazonas Energia - Fato Amazônico

Parintins sofre apagões por conta de racionamento da Eletrobrás Amazonas Energia

Parintins – Não bastasse o drama da enchente que atinge vários bairros. Desde segunda-feira toda a população de Parintins sofre com racionamento de energia, o que provoca ainda a falta de água. O apagão começa as 8h da manhã e cada bairro fica entre 1h30min a duas horas sem energia. Na quarta-feira a situação voltou a ocorrer. O pior é que a Eletrobrás Amazonas Energia, concessionária responsável pelo fornecimento, não emitiu nenhuma nota sobre o caso ou avisou os consumidores com antecedência. Vários aparelhos eletroeletrônicos foram perdidos.

O blecaute provocou a queima de uma bomba do SAAE, responsável pelo bombeamento de água no Centro da Cidade. Agora os moradores não tem mais água na torneira.

Quebra de contrato

Procurado pela imprensa o gerente local Jean Carlos Vasconcelos Costa afirmou que placa de um grupo gerador queimou, provocando a diminuição do fornecimento. Disse ainda que desde sexta-feira houve o problema e os técnicos entraram em ação.

No entanto, funcionários da empresa revelaram que a Eletrobrás Amazonas Energia não vem cumprindo contrato de pagamento com a empresa Power Tech e as máquinas da empresa estão sem manutenção. “As máquinas da empresa terceirizada está em perfeito estado de funcionamento só que estão parados por falta de pagamento. Vão racionar e o problema é geração, não tem reserva, há muitas máquinas desligadas por falta de pagamento, são máquinas terceirizadas e as máquinas da Amazonas Energia estão sem manutenção por negligência da empresa. Não é culpa dos funcionários. E a empresa sabe de tudo e não há compromisso da empresa em pagar as prestadoras de serviço”, revelou uma fonte.

Tema chega a Câmara

Depois das centenas de reclamações dos consumidores o tema chegou a Câmara Municipal. O vereador Mateus Assayag (PSDB) exigiu explicação. Assayag na companhia do promotor de justiça André Seffair, esteve no parque energético da empresa.

Ambos ouviram iguais relatos sobre o tal calote da Eletrobrás. “A empresa está trabalhando no limite da carga de energia necessária para atender a sede do município, o que é um absurdo quando se trata da nossa Parintins que é a segunda cidade do Estado. A falta de investimentos em geradores e manutenção por parte da matriz, deixa os funcionários em situação complicada e de emergência na iminência de a qualquer momento termos paralisação no fornecimento”, disse Assayag.

O vereador Juliano Petro Velho (PDT) pediu que a população consumidora que teve algum eletrodoméstico queimada durante nesses dias de apagão para procurar a Comissão de Defesa do Consumidor, no Poder Legislativo. A ideia diz Petro Velho é ingressar com diversas ações indenizatórias contra a concessionária.

Para o vereador Carlos Augusto das Neves a culpa é do gerenciamento feito pela Eletrobrás desde Brasília com o Ministro Edson Lobão do PMDB. “É culpa do Ministérios das Minas e Energia, pois se o atraso do pagamento vem ocorrendo em várias cidades”, afirma.

Diretor do Interior vai a Parintins

Em Manaus, o deputado estadual Tony Medeiros Lotado (PSL) esteve na terça-feira na sede da Eletrobrás Amazonas para pedir explicação sobre o apagão de segunda-feira nos bairros de Parintins. Tony Medeiros conversou com o Diretor do Departamento de Energia do Interior técnico Radir Oliveira sobre a situação do blecaute.

Oliveira informou que técnicos da empresa Power Tech chegaram a Parintins ainda na noite segunda-feira iniciaram o procedimento de reparo nos grupos geradores que deram pane. O diretor estará nesta quinta-feira na cidade.

Sobre a denuncia e pedido de informações levantadas na tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Mateus Assayag da quebra de motor decorrente da falta de manutenção, pois a empresa Eletrobrás não vem cumprimento o contrato de pagamento de Power Tec. "Eu desconheço essa situação, pois tem um setor responsável por essa parte financeira. Mas os técnicos estão em Parintins e se não tivessem recebido não iriam. Foi nos repassados que uma placa queimou e provocou a diminuição do fornecimento", disse Radir.

População indignada

Como a maior cidade do Baixo Amazonas e detentora do maior festival folclórico da Região Norte, o parintinense está indignado devido o sofrido do apagão elétrico, racionamento de água e a enchente do rio.

O funcionário Hosué Ferreira diz que até a Cidade de Anamã que vai para o fundo d’água todo ano já tem Usina de Geração de Energia Elétrica movida a GAS. “ E lá sobra energia , pois produz 5.000 Megawatts não só para a Cidade de Anamã , como também para toda aquela imensa área rural do médio Rio Solimões”, diz.

O problema para a professora municipal Leocarmem é um falta de respeito com todos os trabalhadores. “Racionamento de energia por incompetência de alguém. Isso é uma cambada de desorganização”,.

A acadêmica da UFAM de Serviço Social Juliana Melo tasca a situação de vergonhosa. Juliana indaga se haverá algum desconto nas contas de energia no final do mês.

Para o autônomo Rubens Pires está chegando as eleições e com certeza vai aparecer algum candidato prometendo que vai resolver o problema. “ Vai dizer que vai trazer energia de primeira qualidade! Só pra isso que esses malditos políticos prestam, prometerem e não cumprirem”, afirma.

Na avaliação da cantora Ciryanne Souza é preciso trocar a gerência e colocar alguém mais competente e que se sensibilize com povo e não pense em status apenas.

O administrador de empresa Luis Carlos Castro Roçoda reflete que o problema é bem maior e vem de cima. “Tudo verticalizado, a direção local não pode fazer nada para resolver o problema, o ministério das minas e energia é o principal culpado, torna-se necessário uma análise mais profunda, e o povo é quem paga a conta”, diz.

Nas emissoras de rádio foi muito lembrado o juiz Mauro Moraes Antony, que há oito anos, quando atuava em Parintins, mandou prender o gerente da então CEAM, quase não normalizasse o fornecimento. A medida deu certo e o problema acabou na época.