Policial Civil preso com mais de 300 quilos de cocaína na Ponte Rio Negro é condenado a 20 anos de prisão e perca do cargo – Sentença - Fato Amazônico

Policial Civil preso com mais de 300 quilos de cocaína na Ponte Rio Negro é condenado a 20 anos de prisão e perca do cargo – Sentença

O policial civil Karl Marx de Araújo Gomes e o empresário Josechson da Silva, foram condenados pela juíza Ana Paula Serizawa Silva Podedworny, da 4ª Varal Federal pelos crimes de tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. Eles foram flagrados, em fevereiro do ano passado transportando cerca de 315 quilos de cocaína na carroceria de uma picape L-200 Triton, enquanto tentavam atravessar a ponte Rio Negro. O policial civil era lotado na delegacia de Tonantins (município a 865 quilômetros a oeste de Manaus), onde ocupava a função de chefe de polícia.

Karl Marx foi condenado a 20 anos de prisão, além de 2.499 dias-multa, o equivalente a cerca de R$ 453 mil, valor que deverá ser atualizado monetariamente até o dia do pagamento. Já o microempresário também envolvido no caso, foi condenado a oito anos e quatro meses de reclusão, além de 1.083 dias-multa, cerca de R$ 157 mil. Após o trânsito em julgado da sentença, se mantidas as condenações, eles deverão cumprir pena inicialmente em regime fechado.

Ao policial civil também foi determinada na sentença a perda do cargo público, em razão do uso para fins criminosos. Ele não poderá recorrer em liberdade, já que frequenta a região de tríplice fronteira e, por isso, há risco concreto de fuga. A prisão preventiva do microempresário também foi mantida em razão de ter sido preso novamente, meses depois de obter liberdade provisória, praticando o mesmo crime.

Tráfico internacional – Em depoimento, o microempresário revelou que foi procurado pelo policial civil para auxiliar no transporte da droga de Benjamin Constant (município localizado na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru, a 1.116 quilômetros da capital amazonense) para um sítio localizado na estrada que liga Manaus a Rio Preto da Eva (a 60 quilômetros da capital). Pelo serviço, foi oferecido a ele pagamento no valor de R$ 83 mil.

A cocaína foi recebida de um peruano, em 18 de fevereiro de 2014, quando os dois partiram de Benjamin Constant, em uma lancha. O microempresário disse, no depoimento à polícia, que ainda naquele município o policial se identificou como investigador para escapar da fiscalização existente na localidade. Relatou ainda que ele utilizou ostensivamente equipamentos policiais, como colete à prova de balas, pistola e submetralhadora, em vários trechos da viagem.

O policial e o empresário foram presos quando passavam na barreira da estrada do Iranduba

Na denúncia que resultou nas condenações, o MPF/AM cita trechos do auto de prisão e flagrante e relata que, ao ser abordado e orientado a sair do carro, o investigador da Polícia Civil se apresentou como policial e tentou sacar a arma que levava na cintura, com o objetivo de evitar a fiscalização. A prisão e a apreensão da droga e das armas foi realizada no dia 23 de fevereiro deste ano, quando o veículo em que trafegavam foi abordado na ponte Rio Negro, em atividade de fiscalização policial.

Além da droga, dividida em vários volumes transportados no banco traseiro e na carroceria da caminhonete utilizada pelos denunciados, foram encontradas no veículo uma pistola de uso exclusivo da polícia e uma submetralhadora, com munições.