PP cooptou sete deputados com dinheiro da Saúde, Átila Lins é um deles, diz IstoÉ - Fato Amazônico


PP cooptou sete deputados com dinheiro da Saúde, Átila Lins é um deles, diz IstoÉ

Campeão de membros envolvidos na Operação Lava Jato, o Partido Progressista (PP), da ex-deputada Rebecca Garcia – que recentemente mudou de nome para Progressistas – usou dinheiro público para estruturar uma operação de cooptação de novos parlamentares, aproveitando-se da janela partidária que se abriu entre 8 de março e 7 de abril (quando deputados podem mudar de legenda sem risco de perder o mandato). No pacote, recursos do Ministério da Saúde e promessa de mais de R$ 2,5 milhões para a campanha de cada candidato. O esquema de “compra” de políticos foi montado pelo presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PI), pelo então ministro da Saúde, deputado Ricardo Barros (PR), e pelo deputado Arthur Lira (AL), ex-presidente da Comissão do Orçamento. A informação consta de reportagem da revista IstoÉ deste fim de semana.

O deputado Átila Lins, ex-PSD, por exemplo, é dos citados na reportagem da IstoÉ, que diz que ele tem como uma das suas bases eleitorais o município de Fonte Boa. Vizinho, está Tefé, de apenas 62 mil habitantes, onde Átila Lins também atua, que recebeu R$ 3 milhões. O deputado chegou a pedir pessoalmente ao presidente Michel Temer recursos para construir na cidade de Coari um hospital da mulher. Por emendas, Coari recebeu também R$ 3 milhões. Outras cidades da sua base foram beneficiadas: Borba, São Paulo de Olivença e Carauari.

Com o estratagema, o PP conseguiu chegar ao posto de segunda maior bancada da Câmara, com 54 deputados. Antes, o partido sequer ficava entre as cinco mais numerosas bancadas, e hoje só tem menos membros que o PT. Agora, mesmo MDB, PSDB e DEM ficam atrás do Progressistas em número de representantes.

Segundo o texto assinado por Rudolfo Lago e Ary Filgueira, Ciro Nogueira, Ricardo Barros e Arthur Lira armaram a adesão de sete deputados em março, com a abertura da janela partidária. A cooptação se deu com recursos do Fundo Nacional da Saúde (FNS) destinados a municípios que são redutos eleitorais dos deputados a serem conquistados.

Por meio de nota, o Progressistas negou as acusações. Da mesma maneira, a assessoria do hoje deputado Ricardo Barros alega que os recursos de emenda executados coincidem com a liberação anual do orçamento. “Todos os parlamentares foram atendidos com pagamentos de emendas impositivas, independentemente de partido político, visando sempre a melhoria do acesso de serviços à população”, diz trecho da nota.