Roraima é hoje o único Estado brasileiro que não está conectado ao chamado Sistema Integrado Nacional (SIN), a rede de transmissão de energia que conecta todo o País. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro convocou reunião do Conselho de Defesa Nacional para as 17 horas desta quarta-feira, 27, no Palácio do Planalto. Segundo despacho divulgado no Diário Oficial da União (DOU), o objetivo do encontro é discutir sobre o cunho estratégico da Linha de Transmissão Manaus-Boa Vista.

O Conselho de Defesa Nacional é comandado pelo presidente da República e tem entre os integrantes natos o vice-presidente, os presidentes da Câmara e do Senado, o ministro da Justiça, o ministro das Relações Exteriores, o ministro da Defesa e o ministro da Economia. 

Dependência venezuelana

Roraima é a única unidade da federação que não está interligada ao sistema elétrico nacional, e depende do país vizinho para garantir o abastecimento energético. “Nós temos 50% da energia vindo da Venezuela, outros 50% por termoelétrica, por óleo diesel”, disse recentemente o governador Antonio Denarium (PSL).

“Se houver um corte de energia da Venezuela, nós não temos energia suficiente para atender o Estado. Aí serão obrigatórios os racionamentos diários de energia elétrica, porque não temos energia em quantidade”, afirmou Denarium. Segundo ele, já houve uma reunião no Ministério de Minas e Energia em que se discutiu a “contratação de energia suficiente” para o caso de corte no fornecimento.

O vice-presidente Hamilton Mourão também já comentou o problema. Ele afirmou que o abastecimento de termelétricas pode ser uma alternativa caso a Venezuela interrompa o fornecimento de energia para Roraima. “Plano de contingência são as termelétricas que existem lá, aí teria de abastecer mais essas termelétricas com óleo”, disse Mourão em janeiro.

A questão do abastecimento energético de Roraima é recorrente. Em agosto de 2018, a Corpolec – estatal energética venezuelana que fornece energia elétrica para Roraima – ameaçou suspender o serviço em razão de uma dívida da Eletronorte.

Na ocasião, a empresa brasileira reconheceu dever US$ 30 milhões para a Corpolec, mas disse que o débito resultava de “dificuldades operacionais” para transferir os US$ 4 milhões mensais pagos pelo fornecimento de energia – serviço prestado regularmente desde 2001 – após o governo dos Estados Unidos impor uma série de medidas restritivas contra a Venezuela.