Prosamim de Manacapuru completa 10 anos e nenhum apartamento foi construído com R$ 4,5 milhões liberados pela CEF - Fato Amazônico


Prosamim de Manacapuru completa 10 anos e nenhum apartamento foi construído com R$ 4,5 milhões liberados pela CEF

Manacapuru comemora nesta terça-feira, 05, os primeiros 10 anos de aniversário de implantação do Projeto Habitacional Prosamim.

O obra contemplaria os moradores do igarapé da Liberdade com cinco blocos de apartamento, uma praça, um play graund, área  gramada e arborizada, uma Estação de Tratamento de Efluentes seria instalada para receber toda a água utilizada pelos moradores e que depois de tratada voltaria para o canal totalmente limpa.

Cerca de R$ 4,5 milhões foram, liberados pela Caixa Econômica Federal (CEF) para o início das obras. A população festejou, feliz, com a “boa nova”.

À época, em 2008, 92 famílias que habitavam a área abrangida pelo projeto foram transferidas para outros locais com a promessa de retornarem para os apartamentos que seriam construídos com os recursos federais.

Infelizmente, o projeto gorou. Nada de play graund, nada área  gramada e arborizada, absolutamente nada. Muito menos apartamentos.

Gorou porque o cerne do projeto não era construir de nada e sim eleger, tão somente, Edson Bessa, que disputava o cargo de prefeito com o fortíssimo candidato Angelus Figueira, derrotado por um punhado de 300 e poucos votos.

Para não dizer que nada foi executado com R$ 4,5 milhões, um punhado de barro foi jogado no local e utilizado como aterro da área alagada.

De acordo com informação da CEF, após  verificação técnica realizada em 2011, a evolução física das obras não correspondia aos valores liberados (R$ 4,5 milhões) e que uma das parcelas, no valor de R$ 1.038.891,85, não foi executada.

O Ministério Público do Estado (MPE) cobra a devolução de R$ 1,038 milhão dos ex-prefeitos de Manacapuru Whasington Régis (falecido) e Edson Bessa pela não construção do Prosamim Manacapuru.

Ainda de acordo com a CEF, mesmo sem a execução da obra, após a liberação da parcela de R$ 4,5 milhões, a prefeitura de Manacapuru transferiu mais de R$ 900 mil à empresa Metacon, sem que as obras correspondentes fossem realizadas. A empresa abandonou o canteiro de obras.

Ano passado, o promotor de Justiça Vitor Moreira Fonsêca determinou investigação para apurar crime de improbidade e danos ao erário público decorrente de pagamento do aluguel social pelos ex-prefeitos.

Em 2011, a Justiça Federal no Amazonas determinou, em caráter liminar, o bloqueio de um apartamento do ex-prefeito de Manacapuru, Edson Bessa, cassado em 2010, e dos valores depositados em contas bancárias dele e de outros seis réus em ação cautelar preparatória por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM).

Bessa teve o mandato cassado em 2010 por captação ilícita de recursos, compra de votos e abuso de poder econômico.

Em reunião realizada no dia 25 de dezembro de 2011 pelo MPF/AM, a CEF e o Município de Manacapuru concordaram em buscar a repactuação do contrato para garantir a continuidade das obras e a construção da moradia para as famílias. Não passou do plano das intenções. Além das carradas de barro nada foi implementado no local.

Reportagem para o Fantástico

Em agosto de 2013, a reportagem da Rede Globo de Televisão esteve em Manacapuru e foi recebida por Carlos Sarmento Farias, representante do então prefeito, Jaziel Alencar Tororó.

A entrevista concedida à equipe do Fantástico pelo representante de Tororó foi um vexame.

Ao ser indagado, por exemplo, sobre os motivos de Edson Bessa responder judicialmente por desvios de verbas públicas, Sarmento viveu os momentos mais angustiantes de sua vida.

A reportagem “Desvio de dinheiro público” que seria apresentada no dominical “Fantástico” foi abortada.