Ramais de Rio Preto da Eva estão esquecidos, mas o do sítio do governador José Melo, está asfaltado - Fato Amazônico

Ramais de Rio Preto da Eva estão esquecidos, mas o do sítio do governador José Melo, está asfaltado

Rio Preto da Eva – Os produtores dos ramais da Am 010 (Manaus/Itacoatiara) na altura do Rio Preto da Eva, cansaram de esperar por uma posição do governo do Estado, da prefeitura do município e do Incra e na manhã de ontem resolveram fazer uma manifestação na entrada do ramal do Iporá, o principal da estrada onde moram mais de 200 famílias, completamente esquecidas pelo poder público, que devido as péssimas condições do ramal não conseguem escoar sua produção.

A revolta se deu também por conta de que a menos de 3 quilômetros, o ramal do banco, no quilômetro 126, onde no final tem o sítio do hoje governador do estado, José Melo (PROS), está com seus 20 quilômetros completamente asfaltado.

Moradores do ramal do Iporá, revoltados, realizaram ontem uma manifestação na estrada

A obra, de acordo com a placa, custou aos cofres do Estado mais de R$ 8 milhões, que foram pagos a Construtora Amazônidas, que tem como técnico responsável o conhecido Eládio Messias Camelli Júnior, e teve início em 19 de junho do ano passado.

O ramal onde fica o sítio, do hoje governador e ex-vice, de acordo com os moradores é conhecido no local como Rodovia Professor José Melo. “Não chamamos mais de ramal é todo no asfalto e passamos a chamar de rodovia, uma estrada federal”, brincou um assentado, afirmando que os moradores dos ramais do Rio Preto da Eva, estão revoltados com os dois pesos e duas medidas usado pelo Governo no Estado do Amazonas.

Entrada do Ramal do Banco, batizado como Rodovia Professor José Melo

Veja o contrate, a entrada do Ramal do Iporá, completamente no barro

“Esse asfaltamento começou quando o Melo, ainda era vice-governador e em tempo recorde foi concluído. Enquanto o nosso aqui do Iporã, está completamente acabado”, disparou outro assentado do principal ramal do Rio Preto da Eva.

Para José Aquizes, o “Quizinho”, morador há 22 anos do Iporá, o asfaltamento do ramal do Banco, onde tem o sítio de José Melo, é uma provocação aos demais assentados dos outros ramais que lutam há anos por uma melhoria nas vicinais para poderem escoarem a produção.

“Aqui quando a estrada estava em perfeito estado, nós vendíamos de tudo aos turistas que passavam para chegarem ao final do ramal onde iriam pescar no rio Preto. Mas hoje, completamente abandonado e esquecidos como estamos, não vendemos mais nada”, disparou.

Projeto esquecido

De acordo com os assentados havia um projeto, que foi esquecido, onde o Incra, Governo do Estado e Prefeitura do Rio Preto da Eva, asfaltariam todos os ramais começando pelos mais antigos, como Iporá, Novo Horizonte, Manápolis e outros, mas pelo contrário todos foram abandonados e apenas onde está localizado o sítio do hoje governador foi asfaltado.

“Essa é a revolta dos moradores”, disse um assentado, mostrando que na manifestação de ontem eles não cobraram não apenas do Incra, mas também do secretário de Produção, Eron Bezerra, que já deixou a secretaria para concorrer ao cargo de deputado federal nas eleições.

Alunos em risco

E o ramal do Iporá, o mais importante da estrada do Rio Preto da Eva, onde já foi a Fazenda Reunidas e a Capemi, hoje está completamente abandonado. A reportagem do Fato Amazônico esteve no local ontem à tarde e encontrou trechos completamente comprometidos, ladeiras imensas, lama e mais ou menos no quilômetro 10, uma placa da Secretaria de Infraestrutura do Município, mas ao invés de obras encontramos parte da estrada desmoronando.

O local, onde está um imenso desmoronamento, tem hoje um abismo de mais de 100 metros de profundidade e deixa os assentados todos os dias preocupados com a segurança de suas crianças que pegam o ônibus escolar.

“Temos de nos apegar com Deus, para nossas crianças sejam levadas com segurança”, disse um morador, afirmando que quando chove sua preocupação com as crianças ainda é maior. “Fico imagino o ônibus descendo a ladeira”, acrescentou, afirmando que o governo do Estado, que asfaltou de ponta a ponta todo o ramal do sitio do hoje governador José Melo, deveria se preocupar com a vida das crianças que moram no Iporá.