Rotta denuncia perigo à saúde pública com a falta de fiscalização em abatedouros clandestinos - Fato Amazônico

Rotta denuncia perigo à saúde pública com a falta de fiscalização em abatedouros clandestinos

O deputado estadual Marcos Rotta (PMDB) denunciou o funcionamento de abatedouros clandestinos na capital e no interior do Amazonas. O parlamentar mostrou o trabalho feito por um médico veterinário, no interior, e também imagens de animais sendo abatidos no chão, sem as mínimas condições de higiene. O alerta é para a falta de fiscalização em produtos que abastecem a população em todo o Amazonas.

“As condições encontradas nestes estabelecimentos são as mais precárias possíveis, os abates ocorriam sem as mínimas condições higiênicas, no chão, com a presença de animais e pragas, utilizando-se de equipamentos e utensílios sujos, sem respeito a nenhuma prática de abate humanitário, com água contaminada e os resíduos sendo despejados diretamente na natureza. A carne ainda era transportada sem resfriamento em veículos sem nenhum tipo de proteção”, afirmou Rotta.

“Um médico veterinário, para cumprir uma tese de mestrado percorreu vários municípios do interior do Amazonas e atestou a fragilidade no sistema de fiscalização desses abatedouros. Esse produto, sem condições para o consumo, pode estar abastecendo a capital e os municípios do interior”, completou o parlamentar.

Clandestinidade

Em 2013, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) autuou e interditou mais de 30 abatedouros clandestinos no Amazonas. Poucos estabelecimentos atuam legalmente no Estado.

“A estimativa é de que tenhamos mais 60 abatedouros irregulares, apenas sete abatedouros são legalizados no Amazonas, com a expedição do selo de qualidade. Então é algo muito preocupante, temos também denúncias de que produtos vindos do Mato Grosso, Pará e de Rondônia, principalmente, chegam ao Amazonas sem qualquer tipo de controle sanitário. Nós estamos preocupados com esta situação”, afirmou Rotta.

O deputado também denunciou a falta de profissionais qualificados para fazer a fiscalização nesses abatedouros. “A Comissão Executiva Permanente de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Codesav) tinha um grande suporte técnico e humano, que se perdeu, porque os servidores foram dispensados e não houve a incorporação de novos servidores, qualificados, por parte da comissão. Nós temos percorrido alguns municípios do interior do Estado e esses servidores reclamam que os consumidores estão entregues à própria sorte”,afirmou.

Providências

Rotta, que é presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC-Aleam), elaborou um Projeto de Lei para inibir a ação de abatedouros clandestinos no Amazonas, mas a lei foi suspensa pela Justiça. “Com a suspensão, qualquer pessoa pode fazer o manuseio de produto de origem animal hoje no Amazonas, o que é algo extremamente grave e preocupante”, lamentou.

A Comissão de Defesa do consumidor da Aleam, em breve, fará fiscalizações nesses locais, em parcerias. “Vamos tentar criar parcerias, para fazer fiscalizações, enviar isso ao Poder Executivo, ao Ministério da Agricultura, ao Ministério Público do Estado, Ministério Público Federal, para que juntos, possamos criar uma grande força tarefa para garantir a qualidade desses produtos que são ofertados no Amazonas”, finalizou.