O estudante da Escola Estadual Raul Brasil e o livro infantojuvenil de Adriano Fonseca

“Nesses últimos tempos, tenho percebido uma dor tão grande dentro de mim. Não deve ter cura e não é frescura, é uma dor real que parece que não terá fim. Passei por momentos ruins, tive várias perdas e tenho a sensação que sou sempre o culpado.”

O parágrafo acima está logo nas primeiras páginas do livro Como Consertar um Coração Quebrado, de Adriano Fonseca, publicado em 2018 pela Scortecci Editora, e ilustrado por Samuel Melquíades Silva de Oliveira, 16, um dos cinco estudantes mortos no massacre de Suzano. Dois atiradores entraram na Escola Estadual Professor Raul Brasil na última quarta-feira, 13, assassinaram oito pessoas no colégio e também morreram.

Samuel, de família Adventista do Sétimo Dia, segundo colegas e parentes, amava desenhar e pintar, habilidade que herdou do pai, o artista e impressor gráfico Gersialdo Melquíades de Oliveira. Ele dizia à família que queria ser artista plástico.

Desbravadores do Clube de Suzano, de onde Samuel era integrante, fizeram uma homenagem ao jovem Adventista

Colegas de Samuel falaram sobre ele como “a melhor pessoa do mundo”. Era visto como extremamente inteligente, com argumentos para tudo, divertido, dono de uma oratória impecável e até parecia um político. Antes de estudar no Raul Brasil, Samuel foi monitor de classe na Escola Estadual Alfredo Roberto, onde representou a turma em conselhos da escola e em decisões práticas que os jovens precisavam tomar no colégio.

Adriano Fonseca, autor do livro, nasceu em Jacareí, no interior de São Paulo, e formado em psicologia pela Universidade Braz Cubas em Mogi das Cruzes. Também autor da publicação Aquilo que Me Dá Medo, na descrição de Como Consertar um Coração Quebrado Fonseca escreveu que “como psicólogo social em serviço de acolhimento institucional, presenciou inúmeras situações com crianças e adolescentes vítimas de diversos tipos de violência. Foi pensando nelas que surgiu a ideia deste novo livro”.

Nas páginas finais do livro, Fonseca escreveu: “com abraços, beijos, sorrisos. Tudo isso multiplicado. Coração é frágil, machuca fácil e, quando machuca, parece que nunca será reparado. Se carregar culpa, rancor, cuidado, será mais difícil deixar o coração cicatrizado. Somente o perdão, o amor, podem curar essa dor e salvar um coração que está machucado”.

(veja.com/colaborou Juliana Varella)