Em Cessão de Tempo concedida pelas deputadas Alessandra Campêlo (MDB) e Dra Mayara (PP), na quarta-feira (20), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o secretário Municipal de Saúde de Tapauá (a 449 quilômetros de Manaus), Januário Neto, pediu o apoio da Casa para resolver o problema das 600 mil pessoas do interior amazonense que estão sem atendimento médico. Segundo ele, somente naquele município existem três vagas abertas para profissionais médicos.

O secretário de Saúde, que também é o presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), explicou que com a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos, em novembro do ano passado, 58 municípios amazonenses foram afetados com a perda de 322 médicos. O governo brasileiro abriu um edital para recomposição das vagas e 328 médicos se inscreveram, mas somente 108 se apresentaram. “Hoje temos apenas 104 profissionais trabalhando, o que significa que tem municípios sem médico algum para atender a população”, disse.

Por conta da ausência de médicos, o secretário disse que 600 mil pessoas estão desassistidas, ou seja, sem assistência médica básica há três meses, entre as quais gestantes e renais crônicos. “É preciso de uma política urgente para provimento desses profissionais, seja qual for a nacionalidade, uma vez que existe um programa federal que contemplava todas essas vagas”, enfatizou Januário Neto.

Comissão

Em busca de uma solução, a deputada Alessandra Campêlo propôs que a Comissão de Saúde da Aleam, junto com a Mesa Diretora, crie uma comissão de deputados para acompanhar o caso e se possível ir ao Ministério da Saúde, acompanhados da bancada de deputados federais. “Vou solicitar pela Mesa Diretora uma Audiência no Ministério da Saúde para sermos recebidos na próxima semana”, sintetizou.

A presidente da Comissão de Saúde da Aleam, Dra Mayara Pinheiro, defendeu que o Estado do Amazonas precisa olhar a Saúde com prioridade e que de preferência crie um programa estadual, visando colocar profissionais médicos de qualidade para atender a demanda amazonense.

“Vou apresentar um Projeto de Lei ao Executivo para que em definitivo se resolva essa situação”, disse a deputada, ressaltando que “Se Coari (a 363 quilômetros de Manaus), que é um município bem estruturado, já enfrenta esse problema, imagine outros que não tem estrutura para dar a contrapartida da prefeitura”, lamentou.

Os deputados Wilker Barreto (PHS), Delegado Péricles (PSL) e Serafim Corrêa (PSB) também se pronunciaram sobre o tema, defendendo que a população do Amazonas precisa de assistência básica em saúde com urgência, principalmente no interior, onde a situação é mais precária.