O procurador-geral de Justiça em exercício, Pedro Bezerra, mesmo sem explicar com clareza o parecer do promotor Álvaro Granja, da 23ª Promotoria de Justiça favorável a extinção da pena do ex-prefeito de Coari Adail Pinheiro, condenado a 11 anos por crimes de favorecimento à prostituição infanto-juvenil, afirmou na manhã desta quarta-feira (1º) que o Ministério Público entrou com um recurso contra a decisão do juiz Luiz Carlos Valois, da Vara de Execuções Penais.

Pedro Bezerra disse que houve equívoco na decisão do juiz Luis Carlos Valois em homologar a extinção de pena de Adail, pois ignorou o processo que aponta mau comportamento de Adail no ano passado. Mas com relação ao parecer favorável do Ministério Público, ele disse apenas que respeita a decisão do colega.

“Temos de respeitar isso ai. O colega entendeu que havia essas situações e se manifestou conforme seu entendimento, mas isso não impede que outros profissionais analisando o caso entendam de forma diferente é para isso que existe a justiça que é tão bonita e por isso que estamos impetrando esse recurso”, acrescentou o procurador-geral.

O procurador disse que o recurso foi registrado ontem (31), na Vara de Execuções Penais. “Nós analisamos que a investigação que concluiu a existência dos aparelhos celulares na cela de Adail Pinheiro aconteceu pela Polícia Militar e isso não foi levado em consideração na sentença do juiz, mas o MP entende que o comportamento do ex-prefeito deveria ser considerado ao longo de um ano e não de um mês como se fez”, disse Bezerra, afirmando que o comportamento de Adail Pinheiro ao longo de um ano foi classificado como péssimo.

Pedro Bezerra disse que o recurso é para um juízo de retratação da decisão tomada pelo magistrado. “Mas se ele entender que não existe motivo de retratação que encaminhe ao Tribunal de Justiça para que seja reanalisado”, informou, afirmando que em caso da retração Adail Pinheiro voltaria a prisão domiciliar usando a tornozeleira eletrônica enquanto a ação analise o caso.

Ao ser questionado se Adail Pinheiro tem poder no judiciário amazonense, Pedro Bezerra, disse que não. “Discordo nessa questão de que Adail tem poder no judiciário. Quem tem poder são as instituições constituídas e o poder é através da prestação jurisdicional o juiz entendeu de uma forma e o MP recorreu. Nós acreditamos na justiça do nosso estado que com muita serenidade vai de debruçar sobre essa questão eminentemente técnica e vai decidir conforme o recurso”, concluiu o procurador.