Semed capacita professores para inclusão de alunos com deficiência visual - Fato Amazônico

Semed capacita professores para inclusão de alunos com deficiência visual

Cerca de 90 alunos com deficiência visual são atendidos pelas escolas da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Esses estudantes são cegos ou têm baixa visão e os professores deles recebem assessoramento e formação pedagógica por meio do Projeto Atendimento Educacional Especializado. Os professores aprendem a lecionar por meio de sistemas como o Braille, para incluir alunos com deficiência no ensino regular.

O Braille é um sistema de leitura com o tato para deficientes visuais. Ontem em todo o Brasil é comemorado o Dia Nacional do Sistema Braille, uma iniciativa que se tornou lei em 2010.

De acordo com a pedagoga Cátia de Lemos, que é deficiente visual, o Projeto Atendimento Educacional Especializado atua com três principais frentes de trabalho, a primeira é o atendimento com as crianças, a segunda é a formação de professores capacitados e a ultima é a orientação aos pais.

“Essas três frentes de trabalho são as básicas para que possamos desenvolver um bom trabalho. O projeto é do Ministério da Educação (MEC) e tem como principal objetivo a inclusão social dos alunos cegos ou com baixa visão que possam estudar em escolas de ensino regular com outros alunos que não tenham esse tipo de deficiência”, relatou.

Para a formação de professores, a pedagoga informou que as aulas são aplicadas em módulos, sendo dois dias voltados para alunos com baixa visão, dois dias para aula sobre o Sistema Braille e dois dias sobre Soroban. Este último é um instrumento japonês usado para a aprendizagem do cálculo apenas com as mãos. Há ainda, dois dias de capacitação sobre Tecnologia Assistiva, recursos e serviços usados para contribuir e ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência para promover a inclusão social.

O projeto Atendimento Educacional Especializado, que teve início na rede municipal de Manaus em 2003, quando ainda tinha o nome de Educar na Diversidade, atende a 70 escolas, sendo escolas de ensino regular, além da Escola Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo. Dos nove assessores pedagógicos da equipe responsável por aplicar o projeto, cinco deles são cegos, segundo Lemos.

“A presença desses profissionais é de extrema importância, pois passa credibilidade quando chegamos nas escolas para passar o projeto aos professores, pais e alunos. Eles podem ver que os professores, por serem cegos, já tem certa experiência para repassar”, salientou.

A dona de casa Patrícia de Paiva é mãe da aluna Neiliene Alves Cordeiro, de 10 anos, que tem deficiência visual e já recebe o acompanhamento pedagógico. "Ela nasceu com problema de visão, a vista dela é baixa e não consegue enxergar o conteúdo do quadro, ela tinha vergonha de falar que não estava conseguindo acompanhar o conteúdo passado para os coleguinhas e acabava se atrasando no aprendizado. Agora, com esse projeto, com esse acompanhamento esperamos que ela tenha uma evolução no aprendizado. É um projeto maravilhoso para as crianças que realmente precisam", explicou.

Para trabalhar com alunos deficientes visuais em sala de aula, o projeto recebe do MEC alguns materiais essenciais para os alunos, como lápis adaptados, material em Braille e bengala. O projeto também é responsável pela criação de materiais especiais, como livros programas de computadores.