Semed realiza trabalho para diminuir evasão escolar - Fato Amazônico

Semed realiza trabalho para diminuir evasão escolar

O Centro Municipal de Atendimento Sociopsicopedagógico (Cemasp) da Secretaria Municipal de Educação (Semed) realizou, na noite de quinta-feira, 16, atividade para alunos da Escola Municipal Professora Sônia Maria da Silva Barbosa, localizada na comunidade Monte Sião, bairro Cidade de Deus. Orientação vocacional e uma palestra sobre ‘as consequências do abandono escolar’ foram oferecidas aos alunos do turno noturno.

Desde o início do ano letivo, o ‘Cemasp Polo 2’ já atendeu 21 escolas das Divisões Regionais Distritais Norte 1 e 2. O trabalho compreende o resgate de alunos que não têm boa frequência nas aulas ou que se encontram em situação de abandono escolar, a prevenção do afastamento temporário ou definitivo do discente matriculado, melhoria do processo ensino-aprendizagem para o aluno e atividades de cunho preventivo nas escolas.

Psicóloga do Cemasp, Cíntia Silva informou que a equipe é formada por fonoaudiólogos, pedagogos, psicólogos e assistentes sociais. “Trabalhamos apoiando as escolas com alunos em situação de infrequência escolar. Fazemos palestras e oficinas como parte do nosso plano de intervenção. Os trabalhos acontecem também por meio do encaminhamento dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, de fala e problemas comportamentais”.

Os alunos em vulnerabilidade social são identificados pelos próprios professores, pedagogos e diretores das escolas. “Fazemos visitas domiciliares durante o dia e acionamos o Conselho Tutelar no caso do aluno não retornar à escola. Temos parceria com universidades públicas e particulares, policlínicas e médicos especialistas. Isso abrange todo o público”, completou.

Ainda segundo a psicóloga, despertar no aluno a importância do estudo na vida e motivá-lo para reduzir os índices de abandono e evasão escolar exige um intenso trabalho da equipe da Semed. Entre os problemas identificados pelos profissionais, o mais comum são os alunos que abandonam os estudos por conta da dependência química, que são encaminhados aos Centros de Atenção Psicossociais (CAPS).

O gestor da unidade, Oswaldo Fernandes da Silva Neto, contou que o apoio do Cemasp nas escolas é de grande importância. “Nós sempre recebemos visitas da equipe e isso é essencial, pois com os alunos do turno vespertino e matutino, que são menores, nós encaminhamos direto, mas com os alunos do turno noturno o trabalho é feito direto na escola. Eles vêm e apresentam palestras, encaminhamento de emprego, entre outras coisas. Isso mostra que a nossa secretaria de educação não está só preocupada com o ensino pedagógico, mas também com o futuro dos alunos”, disse o diretor.

Quanto aos índices de evasão escolar, Oswaldo comentou que o trabalho de resgate dos alunos envolve diversas estratégias. “Fazemos um trabalho de conquista, que envolve a questão do Programa de Alimentação Escolar à diminuição dos índices de violência através da conscientização. A escola agora é um pilar na comunidade do Monte Sião, uma referência para que eles próprios entendam que só há uma maneira deles não serem vistos a margem da sociedade, que é através dos estudos”.

Sonho de uma vida melhor

A estudante Ana Érica Alves, 16, cursa o 9º ano do Ensino Fundamental. Apesar de ter passado quatro anos fora da escola, ela resolveu, no ano passado, voltar a estudar. “Eu só penso em terminar meus estudos, pois já passei muito tempo em festas e deixei de lado o principal. Botei minha cabeça no lugar e minha mãe conseguiu uma vaga na escola. Daqui só vou sair quando eu concluir os estudos”.

Ela contou que desde que se matriculou na Escola Municipal Sônia Maria, já viu muitos amigos se perderem nas drogas. “Muitos desistem. Alguns são por falta de interesse, outros porque precisam trabalhar e ficam cansados pra estudar. Mas a maioria mesmo desiste por causa de droga e brigas na escola. Uns ameaçam os outros e por isso acabam tendo que parar de estudar. No ano passado perdi um grande amigo, que ficou doente de tanto usar drogas”, lamentou a aluna, que sonha em ser engenheira civil.

Caio Encarnação, 17, ainda não pensa qual faculdade quer cursar, mas tem uma certeza, “a de conquistar uma vida melhor”. “Estou fazendo a 6º e a 7º série do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e quero terminar pra ter uma vida melhor. Conheço muitas pessoas que desistiram porque seguiram o caminho das drogas, mas eu não quero isso pra mim”.

O alagoano Geraldo da Gama, 44, veio para Manaus para trabalhar como vendedor de bebidas em festas, mas como não sabia ler e nem escrever, sentiu a necessidade de se matricular em uma escola. “Eu morava em um sítio e não tinha escola por perto. Cheguei aqui, me deu vontade de estudar e meu cunhado disse que tinha um colégio perto de casa. Então eu e minha esposa, de 36 anos, nos matriculamos e estamos fazendo a 1º e 2º série do EJA”.

Ele contou que sonha em terminar os estudos para arrumar um emprego. “Eu penso em arrumar um trabalho bom, porque isso é uma coisa boa na vida de qualquer pessoa. Eu vou até o fim. Ainda mais agora que eu já aprendi a ler e escrever”, completou.

O Cemasp

O Centro Municipal de Atendimento Sociopsicopedagógico é uma instituição de excelência no combate à evasão escolar. Tem a missão de resgatar os alunos infrequentes e evitar o abandono escolar por meio de ações pedagógicas, psicológicas, sociais e fonoaudiólogas. O trabalho é realizado em todas as escolas municipais de todas as zonas da cidade.