Em sua página no Facebook, o senador Magno Malta (PR), que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, criada em 2008, publicou um vídeo na tarde de sexta-feira (27) repudiando a extinção da pena do ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, condenado a 11 anos de prisão por exploração sexual de crianças e adolescentes.

No vídeo gravado para o programa ‘Brasil Urgente’, da Band, apresentado por José Luiz Datena, o senador falou que estava assustado com o fato da mídia ter noticiado algo que ele considera absolutamente grave. “… liberar Adail Pinheiro, ex-prefeito de Coari, um pústula, criminoso, abusador de crianças. Só de ouvir, só de falar essa coisa, de abusador de criança…”, falou o senador, visivelmente revoltado com a soltura do ex-prefeito de Coari.

“Eu fui a Coari prender esse canalha. Ele fugiu da cidade. Levei para Brasília, acareei ele (Adail Pinheiro) com a Lândia (dos Santos), a secretária dele de Ação Social, bandida, que levava as meninas para que ele pudesse abusar, e depois ficou posando com história de crente. Deixa eu falar uma coisa pra você, Datena, eu também estou revoltado”.

No vídeo, o senador Magno Malta se dirige ao juiz Luís Carlos Valois, da Vara de Execuções Penais, apesar da soltura ter sido permitida por causa das mudanças do Ministério da Justiça nas regras do indulto por meio do Decreto Presidencial 8.940/16, de 22 de dezembro de 2016.

O decreto concede perdão da pena “nos crimes praticados sem grave ameaça ou violência à pessoa, quando a pena privativa de liberdade não for superior a 12 anos, desde que tenha sido cumprido um quarto da pena, se não reincidentes, ou um terço, se reincidentes”.

“Esse juiz precisa se explicar melhor para a sociedade do Amazonas e para o Brasil. Porque esse sujeito, esse Adail Pinheiro, se tornou um símbolo da cretinisse, da indignidade, da violência e do abuso contra criança. Agora, fazer um despacho dizendo que ele tem bom comportamento… é claro que pedófilo tem bom comportamento na cadeia. Ele fica preso sozinho e onde ele está preso não tem criança pra ele abusar. Eu sou muito convencido de que essa gente não tem jeito. E aí? E as crianças, agora? E a tara dele o senhor não vai parar. O senhor não mudou a mente dele. E não tenho problema nenhum com o que eu estou falando com relação a esse Adail Pinheiro. De maneira que eu acho que o despacho do juiz é infeliz”, disse.

Porém, mais tarde, o senador Magno Malta publicou outro vídeo e justificou que estava retificando o conteúdo do vídeo gravado para o programa ‘Brasil Urgente’ sobre a extinção da pena de 11 anos de Adail Pinheiro. Corrigiu que o “objeto da polêmica é o indulto presidencial”. Ele voltou a expressar sua indignação e disse que irá ao presidente Michel Temer pedir revisão do ato para “trazer o pedófilo de volta à cadeia”.

“O juiz assinou uma ordem do Tribunal de Justiça. Quem escreve o texto da justificativa é o Tribunal de Justiça de que ele se enquadra no indulto presidencial. Que indulto presidencial é esse que solta pedófilo? Eu, na quarta-feira, assim que estiver em Brasília, pela manhã, vou procurar o presidente Temer. Esse indulto presidencial precisa ser revisto. Porque o indivíduo que abusa de criança comprovadamente, cometendo crime, não pode receber nenhum tipo de indulto porque essa raça é irrecuperável”, retificou o senador.

Na tarde da última quinta-feira (26), o juiz Luís Carlos Valois, também já havia esclarecido em sua página no Facebook sobre a soltura de Adail Pinheiro. “não competia e nem compete a este magistrado, no exercício de sua competência jurisdicional, questionar os requisitos estabelecidos pelo Presidente da República para a concessão do indulto coletivo. Competia e compete apenas verificar, em cada caso, se tais requisitos foram atendidos. Em atendidos sendo, cumpre-me extinguir a punibilidade. Foi o que fiz, no estrito cumprimento do dever legal”, escreveu.