Técnico da seleção brasileira de handebol destaca o Amazonas com peculiaridades físicas - Fato Amazônico

Técnico da seleção brasileira de handebol destaca o Amazonas com peculiaridades físicas

Um dos principais técnicos de handebol do mundo, Jorge Dueñas, revelou nos últimos três dias as principais tendências do esporte olímpico para 80 profissionais do Amazonas e de Boa Vista (RR), através do Curso Internacional de Handebol. O evento ocorreu na Vila Olímpica de Manaus, Dom Pedro, e somou pouco mais de 20 horas de aulas práticas de teóricas desde a última sexta-feira, dia 25. A ação foi uma realização da Liga de Handebol do Amazonas (Liham), com apoio do Governo do Amazonas, via Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel).

Dueñas tem no currículo a medalha de bronze de Londres 2012, dirigindo a Espanha. Quatro anos antes, já havia levado as espanholas à prata no Europeu de 2008 e em junho deste ano foi convidado pela Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) para ficar à frente da seleção brasileira feminina, substituindo o dinamarquês Morten Soubak. Entre as várias missões do treinador, uma está bem próxima: ajudar a equipe a se classificar para as Olimpíadas de Tokyo 2020.

“O convite da Confederação Brasileira foi para mim foi algo muito satisfatório, pois a proposta é tocar um trabalho feito anteriormente no handebol. Aceitei também a proposta porque aqui as pessoas gostam deste esporte e temos no Brasil o handebol a nível escolar. Além disso, temos uma seleção brasileira com uma boa trajetória, sendo inclusive campeã mundial em 2013. Este é um desafio muito importante para minha carreira esportiva e enfrento com a máxima dedicação e muita motivação para colocar o Brasil em maior nível do handebol internacional”.

Um dos motivos também para o treinador vir para o País Tropical foi a abertura em desenvolver no Brasil um trabalho que captasse talentos, disseminando a modalidade em todos os polos, incluindo a base, como é o caso do Curso Internacional, que passou por Goiânia (GO), Balneário Camboriú (SC) e após Manaus vai chegar em Maceió (AL).

“O Brasil é um país muito diferente do meu habitual.  Ele é grande, um lugar é longe do outro, as características físicas de cada estado são muito diferentes, mas isso também pode ser muito bom, porque isso pode revelar diferentes tipo de desempenho no handebol. É difícil controlar todas as jogadoras que temos no país, mas vamos tentar conhece-las ao máximo, potencializar esses talentos, e tentar que todas as jogadoras do Brasil possam ter a oportunidade de fazer parte da seleção brasileira, através de um controle dos técnicos da Confederação. Esse é um dos objetivos inclusive do Curso, queremos integrar”, destacou Jorge.

O Curso contou com dez aulas, sendo cinco aulas teóricas e cinco práticas. Durante este tempo, o treinador olímpico avaliou que o Amazonas tem características bem específicas e que o mais importante agora é trabalhar para que os profissionais da região possam se adaptar ao estilo dos atletas desta parte do País, uma vez que essa diferença para o restante do Brasil pode ser o grande diferencial dos jogadores da terrinha baré.

“O Amazonas tem uma característica bem diferente, pois tem mais jogadoras pequenas e isso também é importante, porque os treinadores tem que se adaptar a este tipo. Nós como treinadores não podemos pensar em apenas impor uma forma de jogo, mas temos que nos abrir as características que cada jogadora tem. Temos que trabalhar ataque, contra-ataque, defesa, físico, porque o handebol tem diferentes especialidades. Creio que é importante que a defesa tenha solidez, porque isso dá facilidade para fazer contra-ataque, correr; e também dá certa tranquilidade. Há que se trabalhar todos os aspectos e não podemos nos concentrar somente em algo e sim pensar em distribuir o jogo, porque tudo é  importante”, frisou.

Profissionais capacitados

Para o profissional de Educação Física, Aristeu Lima, 48, que atua em escolas da rede estadual e municipal, a vinda de Jorge Dueñas agrega conhecimento vasto, importante para o desenvolvimento do esporte no Estado, atualizando as principais técnicas da modalidade. Lima soma  37 anos de carreira e sempre se dedicou ao handebol. Na década de 80, fez parte da equipe Sólon de Lucena, integrou a seleção amazonense e foi campeão brasileiro em 87.

“Poder usufruir dos conhecimentos do treinador Jorge é maravilhoso. O handebol hoje é universal e são alguns detalhes que fazem a diferença, no caso de um posicionamento, um braço à frente ou atrás; coisas que na nossa visão ficam limitadas no dia a dia. Então quando vem uma pessoa neste nível, a gente começa a enxergar o esporte de outro jeito. Os detalhes de treinamento individual, em dupla, situações de jogo, o dinamismo do jogo, numa largada de bola mais rápida, numa saída mais rápida; é essencial. Assistimos aos jogos na televisão, temos acesso a internet para estudo, mas poder evoluir de perto com um profissional deste dá ansiedade e também um conhecimento valioso. Ele é um professor disposto, humilde, e não é à toa que ele é um medalhista olímpico”, frisou.

Outro que também aprovou o Curso foi Marcos Carlos, profissional de Educação Física de Boa Vista, Roraima. Em caravana, ele e mais 10 pessoas enfrentaram nove horas de viagem de carro para prestigiar o evento na Vila Olímpica de Manaus. Ex-armador central, o roraimense iniciou na modalidade ainda jovem, quando estudava na Escola Estadual Gonçalves Dias, e somando mais de 30 anos dedicados ao esporte, enxerga no desporto escolar a satisfação e a missão de levar a modalidade que lhe encantou há décadas.

“Um curso desse é uma oportunidade única para a gente. Até porque, vivemos no final da região e enfrentamos mais de 700 quilômetros para acompanhar este curso. Tudo está valendo à pena, pois a forma de treinamento dele é ótima, a padronização dele e organização dele é que fazem a diferença, pois a sequência de trabalho é muito boa. Em Boa Vista, não temos tantos campeonatos, mas o esporte é muito abraçado no deposto escolar, pois nossa Federação está fechada há seis anos. Sou professor da rede particular e os alunos gostam muito do handebol, e temos clientela muito boa na faixa do infantil ao mirim. Minha missão é trabalhar o esporte e me sinto honrado em poder ter conhecimento com um profissional deste”, disse.

Balanço – O presidente da Liham, Auricélio Andrade, destacou a importância da vinda de Jorge Dueñas a Manaus e frisou que o treinador apontou que a parte tática (posicionamento) é que deve ser a mais trabalhada pelos profissionais da região.

“O feedback está sendo excelente, pois é um curso de alto nível, devido o gabarito do palestrante. Estamos atingindo nossa meta, temos um público muito bom, participando tanto professores, treinadores, atletas e gente da capital, do interior do Amazonas, podemos citar aí Iranduba, Manacapuru, Manaquiri, entre outros;  e de outro estado, como no caso de Roraima. O Jorge é um dos melhores do mundo e essa é um oportunidade única, até porque ele faz um trabalho direcionado à nossa realidade. Ele é ético, criterioso e acredito que todos vão sair daqui com muito mais conhecimento e com bagagem para enfrentar as peculiaridades do nosso Estado”, disse Auricélio.

Ao lado do presidente da Liham, o treinador Jorge Dueñas, ainda comentou dois aspectos para qualquer profissional galgar sucesso, independente de País ou realidade que esteja condicionado. “Comecei com  12 anos de idade como jogador, depois estudei Educação Física, me especializei  em handebol, atuei como treinador em times masculinos e femininos. Assim, o que posso falar é que dedicação e estudo são o caminho,  pois sem formação não há como. As tendências do handebol vão variando e é preciso aprender todos os dias”, disse ele, que ainda não teve chance de encontrar o time canarinho, mas que setembro iniciará os treinamos visando o Mundial na Alemanha.