Walfran Campos, tio de Patrick Nogueira, réu confesso do assassinato de quatro familiares na Espanha, se emocionou ao rever o sobrinho no tribunal onde ele está sendo julgado, na cidade de Guadalajara, e lamentou os crimes.

“Como você pode ter feito isso com o Marcos? Deveria ter feito comigo, ele era bom”, declarou Walfran em depoimento como testemunha, enquanto olhava para o sobrinho e se referia a uma das vítimas, Marcos Campos, que era tio de Patrick e seu irmão.

Walfran afirmou ter ficado “profundamente decepcionado” após saber que o jovem, de 22 anos, foi acusado de matar seus tios (Marcos e a esposa, Janaína) e primos (Maria Carolina, de 4 anos, e David, de 1), todos brasileiros, em agosto de 2016 na pequena cidade de Pioz.

O julgamento de Patrick começou ontem, (25/10), e o Ministério Público pediu uma pena de prisão perpétua com possibilidade de revisão – a sentença mais pesada que existe na legislação penal da Espanha.

O próprio réu admitiu ontem ter esfaqueado e esquartejado os quatro familiares e pediu perdão pelos crimes.

Walfran também disse hoje que Patrick era “como um irmão mais novo ou um filho” e que tinha uma boa relação com ele desde pequeno, embora tenha reconhecido que seu irmão Marcos falou com ele sobre um mau comportamento do sobrinho

Também prestou depoimento como testemunha uma colega de apartamento de Patrick. Identificada como Pilar R., ela explicou que a relação com o brasileiro não tinha nenhum problema e o definiu como “alegre e brincalhão”, mas que ele “estava muito obcecado com o tio e o insultava”.

Pilar também contou que nunca observou um comportamento agressivo no rapaz, mas o notou diferente no dia 18 de agosto de 2016 (supostamente dois dias depois de ter cometido os crimes), quando ela voltou de férias e passou algumas horas no apartamento que dividiam, antes de embarcar para outra viagem. (EFE)