O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou na quinta-feira (10/01) a ameaça de declarar emergência nacional no país para destinar recursos do orçamento do Departamento de Defesa para a construção de um muro na fronteira americana com o México.

“Tenho o direito absoluto de declarar uma emergência nacional. Não deveríamos chegar a esse ponto porque isso é um bom senso. Precisamos do muro”, disse Trump a jornalistas durante uma visita à cidade de McAllen, no Texas, perto da fronteira com o México.A viagem foi uma forma de o presidente reafirmar a necessidade da construção do muro, rejeitado pela oposição democrata, que se nega a incluir no orçamento os US$ 5,7 bilhões exigidos por Trump.

O impasse provocou uma paralisação parcial do governo federal. Sem recursos, 25% dos órgãos estão sem funcionar plenamente.

Na entrevista de hoje, Trump alegou que “nunca” disse que o México assinaria um cheque para bancar a construção do muro, contradizendo as afirmações que fez em várias oportunidades de que o país vizinho bancaria as obras da barreira na fronteira.

“Quando, durante a campanha eleitoral, eu disse que o México pagaria pelo muro, obviamente, nunca quis dizer que eles fariam um cheque”, argumentou o presidente americano.

No entanto, antes de ser eleito, Trump chegou a afirmar que obrigaria o México a pagar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões para financiar a construção do muro na fronteira entre os dois países.

O presidente pretendia ameaçar proibir o envio de dinheiro dos mexicanos que vivem nos EUA para seus familiares que ficaram no México, a menos que o governo do país pagasse pelo muro.

Nos últimos dias, a Casa Branca começou a discutir a declaração de emergência nacional para conseguir a verba para a construção e avalia diferentes fontes de financiamento. Uma das ideias é redirecionar dinheiro não utilizado do orçamento do Corpo de Engenheiros do Exército, segundo o jornal “The Washington Post”.

Segundo o jornal, Trump pediu que o órgão analisasse o tempo necessário para liberar os recursos, de forma que a construção do muro fosse iniciada dentro de 45 anos.

A paralisação do governo afeta cerca de 800 mil funcionários públicos federais, que deixaram de receber salários desde então.

Poucos avanços ocorreram nos últimos dias, já que nem Trump nem os democratas estão dispostos a ceder.

(EFE)