Um ano depois do trágico acidente na Djalma Batista família do motorista do micro luta na Justiça contra prefeitura e empresa - Fato Amazônico

Um ano depois do trágico acidente na Djalma Batista família do motorista do micro luta na Justiça contra prefeitura e empresa

Um ano depois da tragédia do dia 28 de março do ano passado quando 16 pessoas morreram vítimas de um acidente entre uma caçamba e um micro-ônibus Executivo da linha 825 (Bairro da Paz/Centro), na Avenida Djalma Batista, onde hoje os mortos foram homenagem, os pais do motorista Robert da Cunha Moraes, de apenas 26 anos, ainda lutam 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal, para receber da Prefeitura de Manaus e do Consórcio Manaus Etacom, a indenização de mais de R$ 3 milhões e 900 mil pela morte do filho.

A peregrinação para receber a indenização está cada vez mais difícil. No dia 26 de janeiro deste ano o oficial de Justiça, Emival de Abreu, deixou de citar o Consórcio Manaus Etacom, que prestava serviço para a Prefeitura de Manaus, desapareceu do endereço fornecido que fica localizado na Rua Monte Castelo, no Japiim, Zona Sul de Manaus. Lá nenhum morador soube informar onde realmente funciona a empresa.

Como a citação tem de ser recebida por alguém para assinar o oficial de justiça devolveu no dia 26 do mês passado aos autos a notificação do juiz Paulo Fernando de Britto Feitoza, de maneira negativa anexando uma certidão.

Agora a defesa dos pais do motorista deverá solicitar ao juiz que faça a citação da empresa por edital para assim ela se manifestar.

Mas enquanto a família do motorista do micro-ônibus luta para receber a indenização pela morte do filho, a esposa do motorista da caçamba, de cor branca e placas OAJ 8863, do Consórcio Manaus Etacom, proprietário do veículo causador do acidente, onde o condutor Ozaias Costa de Almeida, que de acordo com laudo do Instituto Criminalística teria ingerido bebida alcóolica e consumido cocaína, já recebeu dia 28 de janeiro deste ano R$ 30 mil de indenização, já homologada pela juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, da 11ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho.

Contrato de milhões

O Consórcio Manaus Etacom assinou contrato de mais de R$ 40 milhões com a administração do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) em outubro de 2013 para dar mais celeridade às obras de infraestrutura viária e ações de revitalização urbana das avenidas principais do Quadrilátero da Copa do Mundo.

O Consórcio Manaus Etacom, era responsável pelo recapeamento completo das avenidas Djalma Batista, Lóris Cordovil, Pedro Teixeira e Dom Pedro. O valor do contrato foi de R$ 40.870.000.

De acordo com pesquisa do site da Receita Federal, o Consorcio Manaus Etacom, foi aberta dia 21 de agosto de 2013, dois meses antes de ganhar uma licitação milionária da administração Arthur Neto. E o endereço que consta realmente é na Rua Monte Castelo, número 53, bairro do Japiim, onde o oficial de Justiça, furou os sapatos de tanto andar e não conseguiu encontrar como diz o dito popular: virou “orelha de freira”.

Dono do Consórcio é conhecido

O Consórcio Manaus Etacom, que proprietário da caçamba que matou 16 pessoas ano passado é do empresário Flávio Santos Filho, conhecido no meio empresarial como “Flavinho”, dono da Tercom Terraplanagem Ltda, que fez uma doação de R$ 5.765,00 para a campanha do prefeito de Manaus Arthur Neto, nas eleições de 2012.

A Tercom, não é conhecida apenas no meio empresarial, o Ministério Público Estadual e Federal conhecem bem a empresa que aparece na Operação Vorax.

Depois que Arthur assumiu a prefeitura de Manaus, a Tercom Terraplanagem Ltda. foi contratada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) para realizar obras de recapeamento asfáltico nas ruas de Manaus, mas o nome dela não aparecia, até o acidente de com o micro-ônibus. O que aparecia no contrato de R$ 40,87 milhões era o Consórcio Manaus Etacom, vencedor do Lote 1 (que compreende as avenidas Djalma Batista, Dom Pedro, Loris Cordovil, nas zonas centro-sul e oeste de Manaus) das obras de recapeamento de ruas.