O deputado estadual Wilker Barreto (PHS) voltou a realizar uma visita de fiscalização no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, Zona Centro-Sul de Manaus, na manhã de sábado (16) e tornou a constatar a falta de remédios essenciais e vitais na unidade. “Enquanto falta medicação no 28 de agosto, a prioridade do governador é pagar R$ 20 milhões para as empresas que operam no sistema prisional”, disparou o parlamentar, que ouviu denúncias de usuários, pacientes e funcionários do hospital quanto ao colapso que passa a unidade de saúde.

No sábado passado (09/02), Wilker recebeu das mãos do diretor do 28 de Agosto, Dr. Eduardo Mesquita, a lista de medicamentos em falta e retornou à unidade para averiguar a reposição do estoque. Na última semana, a base aliada do governador Wilson Lima na Aleam garantiu que os hospitais foram reabastecidos. De acordo com a gerência da unidade de saúde, ainda faltam 55% dos remédios serem repostos.

“Volto ao 28 de Agosto e constato que ainda temos muitos medicamentos que não foram repostos. Queria estar aqui tranquilizando o povo do Amazonas e ver o estoque reabastecido. O diretor do hospital correu para o mato. Não quis me atender. O que recebi de informações dos funcionários foram as mais sinceras possíveis. São 55% de remédios que estão em falta. São 29 essenciais e 18 vitais que ainda não estão nas prateleiras. A falta desses medicamentos está tirando a vida dos pacientes do hospital e do povo do Amazonas. Foram inúmeras as reclamações que recebi. Não vou parar enquanto o estoque não for reabastecido”, declarou o deputado estarrecido com a situação da unidade.

“Os médicos não são os culpados. Muitos deles se esforçam, mas não existe remédio. Ouvi atentamente os funcionários, os terceirizados que estão há cinco meses sem receber, os acompanhantes que estão vendo seus entes queridos padecerem sem remédio e sem leito. Está um caos. O que mais me entristece e denunciei na Assembleia é a prioridade do governador em pagar 20 milhões para as empresas que operam no sistema prisional, muitos dos contratos em caráter emergencial, e não vejo a mesma atenção para a saúde. Estamos em colapso”, alertou o parlamentar.

Mais denúncias

Marilena Fernandes está com o cunhado, Javier Antonio Ramires, há dois dias no 28 de Agosto. Segundo relatou a enfermeira, o senhor de 69 chegou de Maués com muitas dores e necessita realizar uma endoscopia com urgência. No entanto, não existe previsão para o exame.

“É um absurdo o que está acontecendo aqui. Meu cunhado tem idade e veio de Maués passando muito mal e está há dois dias sentado numa cadeira aguardando esse exame. Os médicos, enfermeiros, têm boa vontade, mas o que não temos aqui é condição. Eu gostaria muito que o governador Wilson Lima pudesse vir aqui e testemunhasse como estão as coisas. É desesperador”, disse Marilena em tom de indignação.

A situação não é diferente para o massoterapeuta, Glauber Pires, 51. Com a mãe, Maria de Oliveira, 90 anos, com suspeita de AVC, restou para ele levar a genitora carregada nas costas, assim que chegou ao 28 de Agosto, em virtude da falta de cadeira de rodas.

“É um absurdo. Minha mãe chegou por volta das 10h com sintoma de AVC e não tinha uma cadeira de rodas, ou uma maca. Tive que carregar minha mãe até a sala de atendimento médico. Da última vez formalizei uma denúncia escrita para o diretor do hospital e nada foi solucionado. Agora está faltando uma seringa de gasometria e pode agravar a situação dela por não ter esse material”, lamentou o massoterapeuta, mostrando-se indignado com o governador do Amazonas.

“Se eu comprar um ovo eu pago imposto. O governador é bom com o microfone na mão. Numa hora dessas, enquanto eu estou com a minha mãe ele deve estar no lazer dele. Eu posso perder minha mãe. Sou um cidadão, minha mãe é uma cidadã e merece respeito”, bradou.

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