Em entrevista ao diretor de Redação do Poder360, Fernando Rodrigues, na última quinta-feira (8/11), o governador eleito do Amazonas, Wilson Lima (PSC), 42 anos, afirmou que pretende rever a decisão do Estado de aumentar a alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do gás natural de 12% para 25%.

“A gente precisa rever essa mudança. Vamos estudar para encontrar 1 meio termo com a empresa [que atua no Amazonas], saber qual o impacto no orçamento e entender qual a real motivação do governo do Estado quando fez isso”, disse o governador.

No mês passado, empresas de petróleo e gás natural protocolaram 1 mandado de segurança na Justiça contra mudanças tributárias adotadas pelo governo do Estado. O objetivo é anular 1 decreto que aumentou a alíquota e criou tributações em elos da cadeia da produção, processamento e transporte do combustível.

Nos últimos meses, as empresas de petróleo e gás que atuam na região tentaram negociar a mudança com o governador atual, Amazonino Mendes (PDT), mas não obtiveram sucesso.

De acordo com as empresas, as mudanças causarão perdas de R$ 2 bilhões ao ano em investimentos. Em 2017, o Amazonas foi o 3º maior produtor de gás natural do Brasil, com 4,8 bilhões de metros cúbicos.

Jornalista e apresentador de TV, Lima é estreante na política. Já foi assessor técnico da Secretaria de Turismo da Prefeitura de Itaituba (PA), locutor, repórter e mestre de cerimônia na Prefeitura de Manaus (AM). Foi eleito no 2º turno com 58,5% dos votos.

Eis trechos da entrevista:

Reforma tributária e Zona Franca

O novo governador afirmou que tem acompanhando com apreensão a proposta de reforma tributária do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

“Já ouvi falar na inclusão do IVA, que é 1 imposto sobre valor agregado, e do IBS, que tem como natureza a tributação no destino e não na origem. Isso é muito complicado para o Amazonas porque somos 1 Estado produtor.”

Lima disse também que tentará evitar que pleitos de outros Estados durante a formulação da proposta reduzam a competitividade das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus.

“Tenho conversado com interlocutores do presidente para que a gente possa ter a devida voz e atenção na hora que se for construir essa reforma.”

Turismo no Amazonas

Em relação ao potencial turístico do Estado, o governador defende que é preciso, primeiramente, desenvolver “uma infraestrutura mínima” no interior.

Ele destacou que há precariedade, por exemplo, nos serviços de internet, saneamento básico, energia elétrica e coleta de lixo nessas regiões

Violência e tráfico de drogas

Para Lima, na área de segurança, o maior problema do Estado é relacionado ao tráfico de drogas. Segundo ele, 70% dos crimes na região estão ligados ao comércio de substância ilegais.

“Estamos em uma região de fronteira com Peru e Colômbia, que são 2 grandes produtores de drogas. Temos uma extensão muito grande de florestas para 1 efetivo muito pequeno de Exército, Polícia Federal, Civil e Militar.”  

Assista à íntegra: