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Em entrevista concedida à apresentadora Luciana Gimenez, no programa “Luciana by Night” da RedeTV!, o presidente da República, Jair Bolsonaro, admitiu que um dos filhos administra suas contas nas redes sociais. Sabe-se que é Carlos Bolsonaro, o 02.

“Quem posta no Instagram é um filho meu[…] Depois de eu dar uma olhada. Ele tem as senhas”, disse Bolsonaro.

O presidente falou sobre os primeiros 100 dias de governo e disse que houve algumas “caneladas”. Mas, para ele, não há dúvidas de que o começo da gestão teve um saldo positivo. Falou ainda sobre a liberdade de escolha dos 22 ministros.

Segundo Bolsonaro, a formação ministerial é a demonstração de que está governando pelo exemplo. “[Os ministérios] orgulham o Brasil”, afirmou.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Sobre a urgência da revisão do sistema atual de aposentadorias, o presidente disse que não há outra alternativa para conter o acúmulo de déficit da União. Disse que a aprovação da reforma é uma “oportunidade ímpar” de salvar o Brasil.

De acordo com o mandatário, uma suposta reprovação da reforma apresentada pelo governo deixaria como únicas opções a impressão de dinheiro ou empréstimos internacionais. Porém, afirmou que ambas as alternativas resultariam em aumento da inflação e crescimento da dívida pública.

Bolsonaro mostrou-se otimista quanto a tramitação do texto no Congresso. Disse que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), apoiam a reforma e que a maioria dos congressistas também.

“Já temos os votos suficientes para aprovar [a PEC] no Plenário”, disse o chefe do Executivo.

EDUCAÇÃO

O presidente voltou a negar que haverá 1 corte de 30% na receita das universidades públicas. Segundo Bolsonaro, a medida trata-se da transferência dos investimentos para a educação básica –“inverter a pirâmide”.

Também não poupou críticas ao patrono do sistema educacional brasileiro, Paulo Freire. Segundo ele, o “método Freire” não deu certo.

Usou como exemplo a má classificação do Brasil nas listas do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que mede a qualidade do ensino em mais de 60 países.

MILITARES NO GOVERNO

Na avaliação de Bolsonaro, os ministérios estão bem divididos. O presidente disse que apenas 7 das 22 pastas são comandadas por militares, enquanto 4 estão nas mãos de congressistas. Mas, na verdade, são 8 militares a frente.

Para Bolsonaro, contudo, falta à alguns ministros-militares o tato político. “Eles estão aprendendo”, afirmou.

Eis os ministros militares:

  • Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional);
  • Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo);
  • Floriano Peixoto (Secretaria-Geral da Presidência da República);
  • Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia e Comunicações);
  • Bento Albuquerque (Minas e Energia);
  • Fernando Azevedo e Silva (Defesa);
  • Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União);
  • Tarcísio Freitas (Infraestrutura).

Eis os ministros congressistas:

  • Osmar Terra (Cidadania);
  • Tereza Cristina (Agricultura);
  • Luiz Henrique Mandetta (Saúde);
  • Onyx Lorenzoni (Casa-Civil).

RELAÇÕES EXTERIORES

Em relação a outro filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) –conhecido como 03–, o chefe do Executivo brasileiro citou a proximidade com o presidente norte-americano, Donald Trump, e falou sobre as viagens internacionais do congressista.

Afirmou que o filho atua como 1 representante do país no exterior, mas disse que o cargo de chefe no Itamaraty é do ministro Ernesto Araújo.

“Ele [Eduardo] faz muito bem o papel de chanceler”, disse Bolsonaro.

Sobre a visita a Washington (D.C.) em março, quando reuniu-se com Trump, o pesselista classificou o momento como ímpar em sua vida. Disse se identificar com o republicano por ter sofrido o mesmo tratamento com jornalistas e em pesquisas. Ainda elogiou o governo do chefe da Casa Branca, exaltando a queda na taxa de desempregos.

Quanto a visita que faria à cidade de Nova York, Bolsonaro afirmou que desistiu de viajar porque o prefeito da metrópole convocou manifestantes para jogar ovos nele.

“Para Nova York não vou. Manifestação popular é uma coisa. Manifestação patrocinada pelo prefeito é outra”, disse.

Bolsonaro deu a entender que vai a Dallas, no Texas, justamente para receber a homenagem que estava programa para Manhattan. Segundo ele, em Dallas será feito “algo semelhante” ao que seria em Nova York.

Falou ainda rapidamente sobre a relação do país com Israel: “Completamente aberto para o Brasil”.

DESEMPREGO

O presidente comentou os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que dão mostram que há cerca de 13 milhões de desempregados no Brasil. Bolsonaro, porém, acredita que o número é maior do que o divulgado. Justificou a desconfiança dizendo que o instituto não inclui no índice quem está a mais de 1 ano sem emprego ou quem recebe bolsa família.

E completou: “Se não fosse a Reforma Trabalhista recente, a situação estaria pior”.

Nos cálculos do presidente, o país tem atualmente cerca de 25 milhões de desempregados.

Criticou também o alto preço da mão de obra no Brasil, apesar de ter dito que o “salário é pouco pra quem recebe e muito pra quem paga”.  Para o presidente, a questão atrapalha a conclusão das negociações de cooperação entre o Mercosul e a União Europeia.

Para isso, aproveitou para promover a MP (Medida Provisória) da Liberdade Econômica: “Ela tira o Estado de cima de quem produz”. A intenção da medida é diminuir a burocracia, segundo o chefe do Executivo.

SEGURANÇA PÚBLICA

Bolsonaro defendeu o Pacote Anticrime, apresentado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Na perspectiva do mandatário, a proposta é importante para postergar o direito de progressão de pena, que atualmente é realizada após o cumprimento de 1/6 da condenação.

“A política de desencarceramento atrapalha e faz crescer a criminalidade no Brasil. O preso está lá por uma opção que fez, tem que ficar afastado da sociedade”, disse Bolsonaro.

Questionado por Luciana Gimenez se perdoaria Adélio Bispo, o autor do atentado contra si durante o período eleitoral, Bolsonaro foi direto: “negativo”. Disse que o agressor sabia o que estava fazendo.

“Não posso perdoar esse tipo de gente. A pena deveria ser prisão perpétua”, afirmou.

Bolsonaro falou ainda que Adélio foi filiado ao Psol (Partido Socialista e Liberdade), que alguém tentou entrar na Câmara no mesmo dia com o seu nome. Também falou sobre o fato de Adélio possuir cartões internacionais e lembrou as duas mortes ocorridas na pensão em que se hospedou na época da facada.

Para Bolsonaro, esses evidências indicam que “não está difícil desvendar quem financiou” a tentativa de homicídio.

MAIS POLÊMICAS

O presidente, que passou 28 anos como deputado federal, defendeu-se das acusações de que seria uma pessoas racista, fascista, homofóbica e xenófoba. Segundo ele, se isso fosse verdade ele não teria chegado ao Palácio do Planalto.

“Com esse currículo, como posso ter me tornado presidente. Não seria eleito nem para vereador de cidade pequena”, declarou.

Bolsonaro declarou ainda que, no Brasil, o racismo é coisa rara, e que as pessoas vem jogando umas contra as outras. “Posso falar? Encheu o saco isso já”, disse, se referindo a crimes contra raça e sexualidade.

Outra proposta polêmica do presidente dita na entrevista foi a de implementar a caça esportiva submarina no Brasil –modalidade a qual admitiu praticar. “Temos que implementar o turismo que o Brasil merece”, afirmou o mandatário sobre a questão da caça.

PAPEL DA PRIMEIRA-DAMA

Bolsonaro também foi indagado pela apresentadora sobre a atuação de Michelle Bolsonaro no governo. Para ela, a primeira-dama tem a simpatia da população e está sendo mal-aproveitada em sua administração.

O presidente respondeu que Michelle mantém, junto ao ministro Osmar Terra (Cidadania), projetos na área de deficiência auditiva. Mas ressaltou que não há remuneração para a mulher.

Ele lembrou ainda que Michelle tem dificuldade de participar de mais atos do governo por ter duas filhas dentro de casa.

Ao fim da entrevista, o presidente participou de um quadro onde Luciana Gimenez lhe pedia para escrever legendas em fotos importantes da sua vida, como se fosse publicações no Instagram. Em uma delas, o presidente replicou o jargão que Trump usa no Estados Unidos. “Vamos fazer o Brasil grande de novo” (adaptado de “Make America great again”). – Poder 360


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