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O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), se disse preocupado com a chegada da polarização política às ruas do país. Ao falar sobre os atos registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro, em que torcidas organizadas protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a favor da democracia, o ministro avaliou que a tendência é de acirramento dos ânimos.

“Me preocupo quando surge o antagonismo de rua, como o que vimos em São Paulo e no Rio. A tendência é acirrar os ânimos. As pessoas se mostram muito apaixonadas. É um caso sério”, disse, em conversa com o Metrópoles.

Na avaliação do ministro, as polícias militares agiram bem ao separar os protestos contra o presidente daqueles que o apoiam. O que tem de ser evitado a todo custo, ele avalia, é um confronto entre os dois grupos, que poderia aumentar a temperatura da crise.

“O que eles [policiais] não podem é tergiversar. Tem que entrar com pulso de aço e luva de pelica. Mas tem que separar. Às vezes é preciso o uso da força”, argumentou.

Dessa forma, o ministro não se soma àqueles que colocaram em dúvida a ação da Polícia Militar. Pessoas como o ex-candidato presidencial Fernando Haddad e a ex-aliada de Jair Bolsonaro deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) denunciaram uma suposta “repressão” policial.

“É difícil criticar a polícia. Não temos o que tivemos nos Estados Unidos, que ficou muito feio”, comparou Marco Aurélio, se referindo à morte de George Floyd, homem negro que foi imobilizado por um policial branco e posteriormente encontrado morto sem ter oferecido resistência. “Não temos violência nesse sentido”, prosseguiu.

Brasil e Alemanha nazista 

O ministro Marco Aurélio Mello discordou do tom adotado pelo decano da corte, o também ministro Celso de Mello que, em mensagem que ele classificou como de cunho pessoal, comparou a situação do Brasil atual com a Alemanha nazista.

“’Intervenção militar’”, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, nada mais significa nada mais significa, na novilíngua bolsonarista, senão a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar”, escreveu Celso de Mello.

“Guardadas as devidas proporções, o “ovo da serpente”, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933) , parece estar prestes a eclodir no Brasil”, prosseguiu, citando o regime anterior ao nazismo.

Marco Aurélio, porém, não faz coro à leitura. “Discordo totalmente da avaliação. Não há comparação a ser feita. Se estivéssemos como a Alemanha, estaríamos muito mal”, disse. “Momento é de temperança e compreensão. Precisamos de bombeiros, não de incendiários”, concluiu. As informações são de Metrópoles.


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