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Uma advogada de 41 anos foi agredida e chamada de “pretinha comedora de feijão cru” durante discussão por um lote vago, em Contagem, Belo Horizonte, na tarde de terça-feira (1/9). A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) registrou a ocorrência como esbulho possessório, ou seja, crime de usurpação de um imóvel. Kelly Cristina de Oliveira disse, ao BHAZ, que sentiu “como se fosse um nada” após a injúria sofrida e promete tomar as medidas judiciais.

De acordo com a PMMG, a confusão teve início após um homem de 28 anos alegar ser dono de um lote na avenida dos Trompetes, no bairro Estâncias Imperiais. Segundo esse jovem, outra pessoa teria invadido a propriedade e se recusava a deixar o local. Contudo, o suposto invasor também alegou ser dono do terreno, e disse que estaria fazendo a limpeza para a construção de muros ao redor.

Os dois chegaram a apresentar documentos que, conforme eles, comprovavam a posse do lote. Porém, existia diferenças nas datas. A do homem que fazia a limpeza datava 1999, e o outro 2020. Como os dois não chegavam a um acordo, o homem que fazia a limpeza chamou o irmão, que disse ser policial civil, no entanto, ele é agente penitenciário. O outro homem acionou a advogada.

“Chegando ao local me apresentei e assim que meu cliente aproximou, o homem, que o acusava de invasor, começou a ficar agressivo. Falei com ele que iria filmar tudo e assim fiz. Num determinado momento ele tomou o celular da minha mão e me puxou pelo braço. Depois disso vieram as pavorosas palavras”, conta a advogada.

Em um momento de discussão, o policial penal teria chamado a defensora de “advogada pretinha, comedora de feijão cru”. Além disso, segundo o boletim de ocorrência, o homem também teria agredido a advogada e forçado ela e o cliente a passarem por uma vistoria. “Fomos revistados por conhecidos do invasor que se passaram por policiais civis. Todos eles estavam armados, mas eram policiais penais”.

‘Senti-me um nada’

Diante da injúria racial sofrida, Kelly se sentiu “um nada”, conforme definiu para a reportagem. “Naquela hora senti como se estivéssemos voltado na época da escravidão. Eu estava exercendo a minha profissão, estava trabalhando e fui agredida devido à cor da minha pele. Tudo que lutei para estudar era como se fosse nada”, desabafa a advogada. 

Uma representação será feita na Justiça e no Ministério Público. Kelly deixa uma mensagem para as pessoas vítimas de injúria: “Não fiquem caladas, procurem seus direitos. Vou levar adiante porque se todos eles fizeram isso comigo, certamente fazem com outros. Não podemos ficar a mercê de pessoas como estas”, conclui. Com informações do site BHAZ.


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