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A Alemanha vai iniciar discussões sobre possíveis sanções contra a Rússia se Moscou não der explicações sobre o envenenamento do líder opositor Alexei Navalny “nos próximos dias”. A advertência foi feita pelo ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas. 

“Dar ultimatos não ajuda em nada, mas se nos próximos dias a Rússia não contribuir para esclarecer o que aconteceu, então teremos que discutir uma resposta com outros países (da União Europeia)”, disse Maas. 

Segundo o ministro, se as sanções forem impostas, elas vão ser “seletivas”. 

Inimigo do Kremlin, Navalny está internado em um hospital de Berlim, onde, segundo o governo de Angela Merkel, os médicos diagnosticaram que ele havia sido envenenado na Rússia, antes do translado para a Alemanha, por um agente neurotóxico to tipo Novichok, criado na época soviética com fins militares. 

A Alemanha e outros países ocidentais pediram a Moscou para esclarecer as circunstâncias do envenenamento, mas até o momento as autoridades russas permanecem impassíveis. 

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zajárova, disse neste domingo, 6, que a Alemanha “está atrasando deliberadamente o processo de investigação que está exigindo”.

Ela acusou as autoridades alemãs de não responderem a uma solicitação dos fiscais russos, feita no dia 27 de agosto. 

Heiko Maas questionou o papel da Rússia no envenenamento: “existem vários indícios neste sentido, esta é a razão pela qual o país deve reagir agora”.

“A substância mortal com a qual Navalny foi envenenado foi encontrada no passado em posse de autoridades russas e apenas um pequeno número de pessoas têm acesso ao Novichok.” Segundo Maas, o mesmo veneno foi utilizado no ataque contra o ex-agente russo Sergei Skripal. 

Sobre as eventuais sanções que a União Europeia poderia impor, o chefe da diplomacia alemã não descartou totalmente o projeto do gasoduto Nord Stream 2 – que está em fase final de construção – feito para abastecer a Alemanha e a Europa de gás russo, empreitada muito criticada pelos Estados Unidos. 

“De qualquer forma, não espero que os russos nos obriguem a mudar nossa posição sobre o Nord Stream”, disse o ministro, recordando as consequências que teria a anulação desse projeto e pedindo para não “reduzir” o debate sobre as sanções a esse único assunto. (Estadão)


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