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O Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro quer criar, admite que não tem tempo hábil para participar das eleições municipais de 2020. O prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral para que as siglas obtenham registro é 4 de abril. Até o último domingo (24), o TSE só havia validado 3.334 assinaturas das 492 mil exigidas.

A cúpula da legenda afirma que já foram conseguidas mais de 1 milhão de rubricas e que o problema estaria nos cartórios eleitorais.

“Nossa parte foi feita, mas os cartórios eleitorais estão recusando todas as fichas com firma reconhecida. Eles alegam que não houve regulamentação. Além disso, o sistema cai toda hora. Os cartórios eleitorais não estavam preparados para um volume tão grande [de assinaturas]”, alegou o advogado Luís Felipe Belmonte dos Santos, 2º vice-presidente do Aliança pelo Brasil, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo.

Há 10 dias, a advogada Karina Kufa, tesoureira da legenda, disse no Twitter que eles já haviam alcançado o número mínimo de assinaturas para o registro – são 492 mil –, mas pediu que a coleta continuasse porque a sigla estaria passando por dificuldades com “questões burocráticas”.

O Aliança pelo Brasil entrou com um pedido no TSE para que a validação das assinaturas fosse dispensada pela Justiça Eleitoral quando o apoio já tiver sido reconhecido pelo tabelião do registro de notas. A solicitação ainda está tramitando. A cúpula do partido também reclama de problemas técnicos no SAPF (Sistema de Apoiamento ao Partido em Formação), do TSE.

O resultado é que, até agora, o Aliança apresentou só 66.252 assinaturas, segundo o Tribunal. Dessas, 12.198 já foram consideradas inaptas.

As 492 mil assinaturas necessárias precisam ser distribuídas por pelo menos nove Estados, cada um deles com quantidade equivalente a 0,1% dos eleitores que votaram nas últimas eleições municipais.

Para o deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP), dissidente do grupo ligado ao Palácio do Planalto, os bolsonaristas sabiam desde o início que seria impossível criar um novo partido a tempo de participar das eleições de 2020 e cometeram um “estelionato eleitoral”.

“Ou enganaram o presidente ou o presidente e seus aliados fizeram uma ação orquestrada e de má-fé para alimentar uma narrativa segundo a qual as instituições impõem derrotas ao Bolsonaro, para estimular uma militância agressiva e odiosa”, afirmou. Para ele, Bolsonaro não está preocupado com as eleições municipais ou com a possibilidade de ficar desidratado para tentar a reeleição.


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