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Apenas duas em cada dez famílias brasileiras viajam, seja por motivos pessoais ou profissionais. Quando viajam, os brasileiros ainda permanecem majoritariamente dentro do País, percorrendo apenas curtas distâncias. A maioria dos viajantes não ultrapassa as divisas do Estado onde moram, segundo dados da primeira edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) Turismo 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 12.

O levantamento considerou como viagem todo deslocamento de ida e volta feito por pelo menos uma pessoa do domicílio a um lugar fora de seu entorno habitual, fosse por motivos profissionais, religiosos, estudos, tratamento de saúde, consultas médicas ou lazer, incluídas as de curta duração, com saída e retorno no mesmo dia.

Dos 72,5 milhões de domicílios do País, em apenas 21,8% algum morador fez pelo menos uma viagem no período de referência da pesquisa – antes da pandemia. O poder aquisitivo influencia diretamente a capacidade de viajar: cerca de 84% das 56,7 milhões de famílias que não viajaram no período da pesquisa tinham renda domiciliar per capita inferior a dois salários mínimos.

Entre os brasileiros que não viajaram, 48,9% alegaram que não tiveram dinheiro para fazê-lo. Mesmo entre quem conseguiu viajar na faixa de renda mais baixa, com rendimento domiciliar per capita de meio salário a menos de um salário mínimo, uma em cada quatro viagens teve como objetivo fazer um tratamento de saúde.

Entre os que viajaram, apenas 13,5% tiveram como motivação questões profissionais. As demais 86,5% viagens foram pessoais, a maioria para visitar amigos ou parentes (36,1%) ou em busca de lazer (31,5%).

Das 21,4 milhões de viagens analisadas, 96,1% (20,6 milhões) foram nacionais e apenas 3,9% (828,7 mil) foram internacionais. Quase metade das pessoas viajou de carro particular ou da empresa (46,6%) e se hospedou em casa de amigos ou parentes (47,3%).

O turismo doméstico ocorreu majoritariamente dentro da própria unidade da federação, superando, em todos os casos, a metade dos deslocamentos registrados. Os Estados que menos emitiram turistas para si próprios foram Amapá (50,1%) e Rio de Janeiro (50,9%), embora mais da metade de seus viajantes tenham permanecido dentro do próprio Estado.

“O turista brasileiro viaja para dentro de seu Estado e para dentro de sua região. O Brasil é um país continental, com longas distâncias, as viagens são mais de carro”, disse Flavia Vinhaes, analista do IBGE responsável pela pesquisa.

O Estado de São Paulo foi o destino mais procurado para viagens nacionais, mencionado por 18,9% das famílias que viajaram, seguido por Minas Gerais (12,8%).

“Isso tem uma influência muito forte do turismo local e intralocal. Em geral, quem está em São Paulo viaja para São Paulo. E São Paulo tem a maior população do País, então faz sentido que esteja em primeiro lugar”, justificou Flavia. “O fator preponderante é São Paulo ser um Estado muito populoso. O ranking de principais destinos obedece mais ou menos o ranking de população dos Estados.” (Estadão)


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