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Com um quarto da força de trabalho dos frigoríficos brasileiros tendo sido infectado pelo coronavírus desde o início da pandemia, segundo as entidades que representam os trabalhadores do setor, a relação entre funcionários e patrões azedou, com a categoria chegando a considerar greve geral. Após uma campanha de mídia mais agressiva feita pelos sindicatos, porém, a associação que representa as empresas que produzem carne resolveu abrir um canal de negociação.

“Nossos apelos não vinham sendo ouvidos em questões cruciais, como a troca diária de máscaras e o uso de equipamentos de proteção de qualidade. Tivemos que procurar meios de o trabalhador ser ouvido e finalmente demos um susto nas empresas”, avalia o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (CNTA), Arthur Camargo, em conversa com o Metrópoles.

Na campanha lançada no último dia 26 de agosto para pressionar os patrões, os sindicalistas usaram o slogan “A carne mais barata do frigorífico é a do trabalhador”. Caso a pressão não venha a surtir efeito, as entidades consideram convocar uma greve nacional.

“Ainda não há o plano que a gente demanda, com distanciamento social no local de trabalho. Continuamos aglomerados, mas houve avanço na questão da máscara, da testagem, que aumentou”, afirma Camargo.

Na próxima quarta-feira (9/7), ele deverá participar de uma reunião com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que, há dez dias, havia classificado a campanha dos sindicalistas como algo “distante da realidade” e que “não contribui para o bem-estar do trabalhador”.

Segundo a entidade, “desde antes da pandemia no Brasil, as empresas do setor implantaram procedimentos [de segurança sanitária] que vão desde o transporte, o acesso aos frigoríficos, vestiários, refeitórios e áreas de descanso dos frigoríficos, além de diversas medidas adotadas nas linhas de produção”.

O mercado de frigoríficos está concentrado nas mãos de duas gigantes: a BRF e a JBS. Com a segunda, os representantes dos trabalhadores dizem que o diálogo é mais difícil. “Eles são muito resistentes, mas, até onde conseguimos apurar, atenderam à questão das máscaras de qualidade, novas”, comenta Camargo.

Os sindicalistas almejam, porém, que as empresas adotem mais turnos de trabalho, de modo que apenas 50% da equipe trabalhem a cada turno. “Dessa forma, mantém-se a produção e se protege o trabalhador. Mas está difícil avançar nesse ponto”, diz o presidente da CNTA.

Surtos de infecções pela Covid-19 pipocaram por frigoríficos de todo o Brasil nos últimos meses, levando ao fechamento de fábricas inteiras pelas autoridades até que a infecção fosse controlada. Os estados do Sul do país, além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foram os mais afetados.

Campanha salarial

O presidente da CNTA conta que vai aproveitar a reunião com o sindicato dos patrões para tentar abrir negociações salariais, que, segundo ele, estão empacadas.

“Estamos nos arriscando enquanto os lucros dessas empresas estão subindo em meio à pandemia, com dólar alto e inflação. Vamos cobrar a participação do trabalhador”, afirmou. (Metrópoles)


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