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O padre Fábio de Melo pegou os fãs de surpresa na manhã desta sexta-feira (09/08/2019) ao anunciar que está deixando o Twitter. Por meio da própria rede social, ele publicou um pequeno desabafo afirmando que a decisão ocorre porque “este lugar deixou de ser saudável pra mim”.

“Meus queridos, vou ficando por aqui. Tenho uma saúde emocional a ser cuidada. Sei o quanto já provei a solidão provocada pela depressão, pelo pânico. Tomar remédios só faz sentido quando evitamos os gatilhos dos desconfortos. Este lugar deixou de ser saudável pra mim. Obrigado!”, escreveu o clérigo, que tem mais de 7 milhões de seguidores.

Ele seguiu explicando os motivos de sua decisão. “Nunca tive dificuldade com as diferenças. Aliás, o meu ministério sempre foi exercido entre elas. Mas a dialética, um dos movimentos que nos permitem o acesso à verdade, vem gradativamente sendo substituída por acusações e julgamentos”. E continuou: “O Twitter sempre foi um lugar de encontro. A Àgora dos nossos tempos. O ponto de reunião improváveis. Falei e fiquei amigo de quem não passaria na porta da minha igreja. Foi bom”.

Motivo

A razão para a saída foi um tweet publicado na quinta (08/08). Nele, o padre criticava o direito de Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha, Isabela, de deixar a prisão durante a “saidinha” do Dia dos Pais. “Não entendo de leis, mas a ‘saidinha’ deveria ser permitida somente no dia de finados. Para que visitassem os túmulos dos que eles mataram”, disse Melo.

A opinião gerou diversas críticas. “Padre, o humor sempre salva. Mas as “saidinhas” são parte de um calendário de retorno à vida social. A prisão não é lugar eterno. É como se fossem testes de perdão. É certo que cuidar das simbologias das datas importa”, falou a professora da faculdade de direito da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz.

Na tentativa de se explicar, ele afirmou que “desde ontem., quando expressei minha indignação sobre a ‘saidinha’, estou sendo acusado de justiceiro, desonesto, desinformado, canalha e outros nomes impublicáveis. Só reitero. Já atuei na pastoral carcerária. Sei sobre a necessidade da ressocialização dos presos”.

“Eu apenas salientei sobre a justiça não ser capaz de preservar, para os que sofrem suas perdas, o simbolismo das datas, libertando os responsáveis pelas mortes de seus entes queridos. Só isso”, complementou. (Com informações de Metrópoles)


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