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Menos de um mês após assumir o Ministério da Saúde, Nelson Teich já balança no cargo. Em muito, pelas mesmas razões que levaram à queda de seu antecessor imediato, Luiz Henrique Mandetta: não dar o suporte esperado para bandeiras bolsonaristas, como o uso da cloroquina contra o coronavírus e o relaxamento de medidas de isolamento social adotadas por governadores e prefeitos para conter o vírus.

Após um período de baixa tanto nas falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quanto nas redes sociais, a defesa da cloroquina como esperança contra o coronavírus desde o aparecimento dos primeiros sintomas retornou com força nesta semana na militância bolsonarista.

O ministro da Saúde foi pressionado em hashtags nas redes sociais desde as primeiras horas de segunda (11/05) a “liberar a cloroquina”. Atualmente, o Ministério da Saúde permite que médicos receitem a cloroquina ou a hidroxicloroquina a pacientes com Covid-19 em qualquer momento, mas não recomenda expressamente que esse seja o tratamento.

O argumento desde a era Mandetta no Ministério da Saúde é de que não há evidências científicas da eficácia do remédio contra o coronavírus, apenas indícios em testes preliminares, e que, por isso, não é possível fazer uma recomendação geral.

A esperança na cloroquina, um remédio originalmente usado contra a malária, sofreu um duro golpe na semana passada com a divulgação do estudo mais amplo até agora, feito nos Estados Unidos, revisado por cientistas independentes e publicado no New England Journal of Medicine. O estudo concluiu que a medicação não foi capaz de fazer diferença no quadro de pacientes que receberam o tratamento quando comparado aos que não fizeram uso.

A prescrição do remédio não diminuiu o número de pessoas que precisaram de assistência respiratória ou morreram. “Na análise principal, não houve associação significativa entre uso de hidroxicloroquina e intubação ou morte”, afirma a conclusão da equipe comandada pelo médico Neil Schluger.

Xingado no Twitter
Para bolsonaristas da militância virtual, porém, isso não importa. Após o ministro Nelson Teich resistir à pressão das redes e ainda dizer na coletiva diária do Ministério da Saúde que o remédio mais promissor até agora nos testes pelo mundo não é a cloroquina, mas o remdesevir (que ainda não é testado no Brasil), a hashtag Fora Teich ganhou força no Twitter e chegou ao primeiro lugar nos trending topics.

Influenciadores digitais bolsonaristas já pedem abertamente a queda do ministro e sua substituição pelo ex-ministro da Cidadania Osmar Terra, que tem criticado abertamente as políticas das autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Saúde, contra o coronavírus. Veja algumas postagens:

Nome que esteve nas apostas quando Mandetta caiu, Terra não teria dificuldades em defender o fim das políticas de isolamento social, bandeira de Bolsonaro.

Fritando pelas beiradas
As críticas a Teich, por enquanto, não partem oficialmente de figuras do governo, apesar de o assessor especial da presidência Arthur Weintraub (irmão do ministro Abraham, da Educação) estar na linha de frente da defesa da cloroquina, pressionando o ministro.

Teich, porém, já passa por situações complicadas. Ele foi avisado pela imprensa, durante a coletiva de ontem, que Bolsonaro havia decidido incluir academias e salões de beleza entre os serviços considerados essenciais. E teve de admitir que não havia sido consultado.

Na manhã de segunda, ao ser cobrado sobre o fato de o ministro da Saúde não ter endossado o uso da hidroxicloroquina, Bolsonaro também não defendeu o ministro e falou apenas no remédio: “Tem estado que não está aceitando, tá dificultando. Tem a cloroquina nas farmácias aqui em Brasília, em alguns estados, não. Nós vamos tentar correr atrás para saber por que não tem”, disse, na portaria do Palácio da Alvorada.

Apesar disso, o ministro anunciou para a próxima quarta-feira (13/05) a publicação de parâmetros para ajudar gestores locais a planejar os momentos de aumentar ou reduzir as medidas de isolamento, baseados em dados sobre o avanço do coronavírus. (Metrópoles)


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