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O presidente Jair Bolsonaro iniciou a reação à operação desencadeada pela Polícia Federal (PF) contra a milícia digital de apoiadores que propaga fake news e faz ameaças aos que considera “inimigos” do presidente.

Em tuíte às 23h38, Bolsonaro iniciou os ataques pessoais ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news e mandante dos 29 mandados de busca e apreensão cumpridos pela manhã da quarta-feira (27).

“A liberdade de expressão segundo o Ministro Alexandre de Moraes”, tuitou Bolsonaro, divulgando vídeo editado de uma reportagem do Jornal Nacional, da Globo, em que o ministro diz que “quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado fique em casa, não seja candidato, não se ofereça ao público, não se ofereça para exercer cargos políticos. Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo. Querer evitar isso por meio de uma ilegítima intervenção estatal na liberdade de expressão é absolutamente inconstitucional”, diz Moraes, complementado na edição do vídeo por Cármen Lúcia: “É uma censura prévia. E a censura é a mordaça da liberdade. Quem gosta de mordaça é tirano, quem gosta de censura é ditador”.

Às 23h52, então, o presidente sinaliza que ordenou a ministros que iniciem a estratégia contra o Supremo Tribunal Federal e chamou o inquérito das fake news de “violação” do direito de expressão. “Estamos trabalhando para que se faça valer o direito à livre expressão em nosso país. Nenhuma violação desse princípio deve ser aceita passivamente”.

Minutos depois, às 00h11 desta quinta-feira (28), André Mendonça, ex-advogado-geral da União alçado ao Ministério da Justiça após demissão de Sérgio Moro, anunciou que entrou com Habeas Corpus para evitar que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e “demais pessoas” preste depoimento no inquérito 4.781, sobre as fake news, pela declaração de mandar prender os 11 “vagabundos” do STF, feita durante a reunião ministerial do dia 22 de abril.

“Ingressei c/ HC perante o @STF_oficial em razão do Inq 4781. A medida visa garantir liberdade de expressão dos cidadãos. De modo mais específico do Min @AbrahamWeint e demais pessoas submetidas ao Inquérito. Tbm visa preservar a independência, harmonia e respeito entre os poderes”, tuitou.

A ação foi comemorada por Weintraub, que agradeceu ao colega, e pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que na fatídica reunião disse que mandaria prender prefeitos e governadores.

“Espetacular! Vamos lembrar ao STF que também conhecemos as leis, os direitos e respeitamos a Constituição Federal”, tuitou Damares.

O HC impetrado por Mendonça também foi comemorado por parlamentares e apoiadores alvos da ação da PF. “Excelente ministro”, comentou o deputado Filipe Barros (PSL-PR). “Pra cima deles”, respondeu o youtuber bolsonarista Bernardo Küster, que é editor de um site ligado ao guru, Olavo de Carvalho.

Cidadãos de bem

Antes de iniciar a ofensiva, às 23h06, Bolsonaro defendeu a milícia digital, classificada como ele como cidadãos de bem “por exercerem seu direito à liberdade de expressão” e escreveu que ” que algo de muito grave está acontecendo com nossa democracia”. (Revista Fórum)


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