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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discute nesta segunda-feira (15/06) uma saída para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deixar o governo de maneira menos traumática. Os dois têm um encontro marcado às 16 horas no Palácio do Planalto. Até lá, opositores e aliados do ministro, incluindo os filhos do presidente, apresentam seus argumentos contra e a favor a permanência dele à frente da pasta.

Para os grupos político e militar do governo, a demissão de Weintraub é essencial para o governo construir uma trégua com o Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso. Eles argumentam que o ministro é um gerador de crises desnecessárias em um momento em que o presidente, pressionado por pedidos de impeachment e inquéritos que podem levar à cassação do mandato, tenta diminuir a tensão na Praça dos Três Poderes.

Por outro lado, a ala ideológica e os filhos do presidente defendem Weintraub, que tem o apoio dos bolsonaristas nas redes sociais. Demiti-lo neste momento, argumentam, é desagradar a base que tem defendido o presidente no fogo cruzado com Legislativo e Judiciário.

A situação do ministro já era considerada insustentável em parte do governo, mas piorou ao se reunir no domingo (14/06), com cerca de 15 manifestantes bolsonaristas que desrespeitaram uma ordem do governo do Distrito Federal proibindo protestos na Esplanada dos Ministérios. Nesta segunda, Weintraub foi multado em R$ 2 mil por não usar máscara na ocasião.

No encontro com os manifestantes, o ministro disse “eu já falei a minha opinião, o que faria com esses vagabundos”. O restante da fala é encoberto por aplausos dos manifestantes, que gritam “Weintraub tem razão”. A declaração remete ao que ele já havia falado na reunião ministerial do dia 22 de abril, quando disse que colocaria na cadeia os ministros da Corte, a quem classificou como “vagabundos”. Ele responde a um processo por causa dessa afirmação.

Seguidor do guru Olavo de Carvalho, Weintraub tem o apoio dos filhos do presidente, considerados os principais responsáveis por dar sobrevida a ele. Nesta manhã, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) mais uma vez saiu em defesa do ministro.

“Não sei o motivo que se escandalizam com o Min. @AbrahamWeint falando o que falou num bate papo com apoiadores? Outro dia um ministro do STF fez pouco do sofrimento judeu e comparou Bolsonaro ao nazismo, ninguém se escandalizou assim… Liberdade de expressão não pode ter lado”, escreveu no Twitter.

A irritação no Planalto com Weintraub se agravou a partir de abril quando o governo passou a negociar cargos com os partidos do Centrão. O ministro da Educação chegou a bater de frente com Bolsonaro ao questionar a nomeação de indicados pela “velha política”, mas, ameaçado no cargo, acabou cedendo.

Desde o início do mês, o ex-chefe do gabinete do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI), Marcelo Lopes da Ponte, assumiu a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem um orçamento de R$ 54 bilhões neste ano. Outras diretorias também foram entregues a indicados pelo PL. (Metrópoles)


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