Foto: Julio Nascimento
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem aproveitado as viagens que tem feito pelo Brasil para reiterar a propaganda da hidroxicloroquina. O chefe do Executivo federal aproveitou o discurso durante a inauguração do sistema de radar do aeroporto de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, nesta terça-feira (18/8), para novamente defender o medicamento. No Tocantins, ele já havia dito que o remédio teria ajudado a evitar a marca de 100 mil mortos por Covid-19 no país. E também fez propaganda do fármaco em eventos no Nordeste.

Bolsonaro agradeceu nominalmente ao deputado federal Luiz Ovando, médico com domicílio eleitoral em Corumbá, que é alinhado ao discurso do governo na defesa da hidroxicloroquina contra o novo coronavírus.

“É um remédio para algumas coisas [malária, lúpus, doenças reumáticas], mas que serviu também para que vidas fossem salvas de todos aqueles acometidos pela Covid-19”, discursou.

Prescrição médica

Bolsonaro tem usado a autorização do Conselho Federal de Medicina (CFM) para que médicos prescrevam o medicamento como argumento em defesa da hidroxicloroquina. A prescrição, no entanto, deve ocorrer com indicação médica e anuência expressa do paciente.

O presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, voltou a comentar sobre o medicamento em entrevista ao Estadão, na qual reconheceu a falta de evidências sobre a efetividade da hidroxicloroquina contra a Covid-19.

“O que acontece no Brasil é uma situação pouco usual. Pessoas comentam sobre a droga como se tivessem domínio absoluto“, disse ele. Segundo Ribeiro, porém, “o fato de não existir evidência científica não quer dizer que não se pode recomendar uso, mas com segurança”.

Prova viva

O próprio Bolsonaro já reconheceu a falta de comprovação de eficácia do medicamento.

“Mesmo sem comprovação científica, [o governo federal doará] mais de 400 mil unidades de cloroquina para o tratamento precoce da população. Eu sou a prova viva de que deu certo. Muitos médicos defendem esse tratamento”, destacou, durante discurso em Palmas.

“Sabemos que mais de 100 mil pessoas morreram no Brasil que, caso tivessem sido tratadas lá atrás com esse medicamento, poderiam essas vidas [mortes] terem sido evitadas. E mais ainda, aqueles que criticaram a hidroxicloroquina não apresentaram alternativas”, criticou Bolsonaro durante evento no Pará. As informações são de Metrópoles.


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