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O glúten foi transformado em vilão por algumas dietas da moda, mesmo com pesquisas provando que sua restrição não é garantia de perda de peso ou de melhoras na saúde. Essa proteína, que está presente em diversos cereais, entretanto, faz mal para quem tem problemas específicos, como a doença celíaca. Com o objetivo divulgar a doença e promover uma melhoria das taxas de diagnóstico, em 17 de maio é marcado o Dia Internacional do Celíaco. 

De acordo com a gastroenterologista do Sistema Hapvida, Norma Jatobá, a doença celíaca é uma doença autoimune causada pela intolerância ao glúten. “Essa substância é uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio, e seus derivados, como massas, pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka e alguns doces. Ela provoca uma reação inflamatória na mucosa do intestino delgado, causando alteração na absorção de nutrientes (vitaminas, sais minerais e água), podendo levar a um quadro de má absorção ou à desnutrição grave”, afirma Jatobá.

Estima-se que 1% da população mundial tenha doença celíaca, inclusive levando a óbito cerca de 42 mil crianças por ano. No Brasil, são 2 milhões de pessoas afetadas, porém, este número pode ser maior, pois ainda há muitos casos sem diagnóstico.

Sintomas

Em geral, as principais manifestações aparecem entre os seis meses e dois anos e meio de vida. No entanto, isso não é regra. Portadores da doença podem manifestar os sintomas na fase adulta, tais como:

– Diarreia ou prisão de ventre crônica;

– Dor abdominal;

– Inchaço na barriga;

– Danos à parede intestinal;

– Falta de apetite;

– Baixa absorção de nutrientes;

– Osteoporose;

– Anemia;

– Perda de peso e desnutrição;

A gastroenterologista orienta que é importante que o diagnóstico seja realizado o mais precoce possível, assim como a retirada total de todos os alimentos que contenham glúten. 

Orienta ainda a reposição das deficiências nutricionais que ocorrem pelo quadro de diarreia. Todos esses cuidados servem para que sejam evitadas as complicações mais sérias como a neoplasia (câncer), osteoporose, baixa estatura, comprometimento do sistema nervoso com convulsão (epilepsia) e transtorno do humor, como depressão, irritabilidade e outros.

Celíacos e Covid-19

A especialista ressalta que em tempos de pandemia pelo novo coronavírus (Covid-19), os cuidados de pacientes celíacos têm que ser redobrados. “O paciente com doença celíaca já existe um processo inflamatório que poderá se acentuar com a contaminação pelo vírus”, destaca Norma Jatobá.

Em caso de necessidade de internação por Covid-19 ou qualquer outra doença, a especialista recomenda que o paciente ou a família avise sobre sua restrição alimentar, para ficar registrada a necessidade de manter de forma rigorosa a dieta sem glúten.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é feito por exame clínico com médico especialista, que vai analisar os sintomas. Biópsia do intestino, por meio de endoscopia, exames de sangue com pesquisa de anticorpos, conforme detalha Norma Jatobá.

“O principal tratamento é a dieta com total ausência de glúten e outros alérgenos alimentares e reposição nutricional. Às vezes, é necessário o suporte psicológico para que o paciente entenda e aceite a restrições quanto ao uso do glúten”, orienta a médica.

Sobre a data

A data foi escolhida para homenagear o dia de nascimento do Dr. Samuel Gee, primeiro pesquisador a reconhecer que os sintomas da doença celíaca estavam relacionados à dieta.


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